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"Resolve-se um problema e arranja-se outro". Receios de ambientalistas com água de Castelo de Bode a abastecer Margem Sul
A Associação Zero coloca sérias reservas à solução do governo para reforçar o abastecimento de água na Margem Sul do Tejo, incluindo Almada recorrendo à Barragem de Castelo do Bode.
Luis Tosta - Unsplash
Em declarações à rádio pública, Sara Correia, responsável pela área de Recursos Hídricos desta Associação Ambientalista, considera que há riscos como situações de seca ou de degradação daquela massa de água, ficando em risco o abastecimento de muita gente. Esta Associação recorda o ano de 2022, em que a situação de seca trouxe problemas ao abastecimento normal.
Mesmo sem o alargamento de área de abastecimento agora prevista, esta albufeira já serve atualmente cerca de 3 milhões de pessoas. Para Sara Correia, há riscos de se resolver um problema e arranjar outro: "vamos estar a deslocar o problema para Castelo de Bode que vai ser a principal fonte de abastecimento para uma população muito grande; de uma percentagem muito grande da população portuguesa".
Uma captação direta no rio Tejo, foi uma outra opção que esteve em cima da mesa do governo. Essa é uma solução para o problema que os ambientalistas preferem, em comparação com a de Castelo de Bode mas salvaguardando caudais ecológicos e evitando a intrusão salina no estuário.
O recurso à Barragem de Castelo do Bode é visto "com bons olhos" pela Câmara de Almada, que passou por uma crise este verão com sucessivas falhas no abastecimento de água no concelho.
Numa resposta escrita enviada à rádio pública, a autarquia vê como positiva a iniciativa da ministra Maria da Graça Carvalho que deu 4 meses à Agência Portuguesa do Ambiente e ao grupo Águas de Portugal para apresentarem as soluções técnicas necessárias e conversarem com as partes envolvidas, incluindo os municípios desta região.