Restaurantes chineses em Portugal em graves dificuldades

O negócio dos restaurantes chineses em Portugal vive um período de "calamidade" após a "Operação Oriente", uma fiscalização a restaurantes chineses que resultou no encerramento de 14 estabelecimentos, noticia hoje o jornal oficial do Partido Comunista chinês.

Agência LUSA /

"O volume de negócios dos restaurantes chineses é 40 ou 50 por cento menor do que antes da `Operação Oriente` e o pior é que existem restaurantes a fechar por falta de clientes", diz a edição internacional do "Diário do Povo".

"Os compatriotas que gerem os restaurantes dizem que se abateu uma calamidade sobre os seus negócios", adianta o jornal, numa notícia sobre o efeito nos restaurantes chineses de Vila Nova de Gaia da "Operação Oriente", uma acção de fiscalização a restaurantes chineses em Portugal feita a 30 de Março pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

A taxa de incumprimento dos restaurantes chineses em Portugal "bateu recordes", segundo a ASAE, que concluiu que 89 por cento dos restaurantes inspeccionados não cumpriam as regras, contra uma média de 28 a 38 por cento noutro tipo de estabelecimentos de restauração.

A ASAE, que detectou falhas como falta de rótulos em português, falta de condições de higiene, alimentos fora do prazo e estragados, apreendeu duas toneladas e meia de produtos e instaurou 113 contra-ordenações e três processos-crime contra os proprietários dos restaurantes chineses.

O "Diário do Povo" cita o proprietário de um restaurante aberto há 16 anos em Vila Nova de Gaia, que diz que a "Operação Oriente" teve um "efeito negativo enorme e reduziu o volume de negócios em cerca de 60 por cento".

"Existem oito restaurantes chineses em Vila Nova de Gaia e três foram obrigados a fechar por falta de clientes e falta de capital para pagar ordenados e impostos", refere o jornal.

A ASAE destacou para a "Operação Oriente" 64 brigadas, que visitaram de surpresa 15 restaurantes no norte do país, 12 no centro, 20 na região de em Lisboa e Vale do Tejo, 11 no Alentejo e seis no Algarve.

A embaixada chinesa em Portugal contestou a operação junto da ASAE e a comunidade chinesa e a Comissão para a Igualdade Contra a Discriminação Racial acusaram a autoridade de potenciar a xenofobia e a estigmatização dos chineses.

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