Resultados no PISA refletem impacto das redes sociais e desvalorização da avaliação diz ministro da Educação
O ministro da Educação considerou hoje que a degradação das aprendizagens dos alunos portugueses, confirmada na última edição do PISA, reflete os impactos negativos das redes sociais, mas também a desvalorização da avaliação externa pelos governos anteriores.
Os alunos portugueses tiveram os piores desempenhos académicos de sempre na prova de Leitura do programa internacional PISA, agravando uma trajetória descendente cujos resultados representam já mais de um ano de estudo perdido, mas a degradação das aprendizagens estendeu-se também a Matemática e Ciências.
É assim desde 2018 e, chamado ao parlamento para comentar os resultados mais recentes do PISA - Programme for Interacional Student Assessment, publicados em setembro, o ministro da Educação, Ciência e Inovação explicou que "a perda de aprendizagens não aconteceu por acaso".
Entre os principais fatores, Fernando Alexandre aponta o acesso precoce às redes sociais e a utilização dos `smartphones`, com impactos negativos na capacidade de concentração das crianças, afetando, em particular, a capacidade de leitura e, por consequência, todo o percurso escolar dos alunos.
"Há fatores que são comuns e que ajudam a explicar esta trajetória muito negativa em quase todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mas cada país pode e deve tomar medidas para contrariar", ressalvou.
Sublinhando que a dimensão das redes sociais é "cada vez mais evidente", o governante acrescentou que, por isso, o seu ministério não precisou de esperar pelos resultados do PISA para regular a utilização de `smartphones` nas escolas, com uma recomendação em 2024 e avançado depois para a proibição que, a partir de janeiro, será alargada até ao 9.º ano.
Por outro lado, Fernando Alexandre considerou que a degradação das aprendizagens ao longo dos últimos anos resulta também da desvalorização da avaliação externa por parte dos executivos anteriores socialistas.
Pelo contrário, argumenta que a introdução, em 2024/2025, das provas de Modernização da Aprendizagem (ModA) nos 4.º e 6.º anos permite acompanhar a evolução dos resultados dos alunos.
"A ausência deste instrumento foi uma das razões pelas quais não foi possível ter uma estratégia eficaz de recuperação das aprendizagens", considerou, acrescentando que, também no que respeita à avaliação externa, o Governo não precisou de esperar pelos resultados do PISA.
Além dos resultados de Portugal no PISA 2025, que motivaram o requerimento de audição apresentado pelo Chega, o ministro esteve no parlamento também para responder, a pedido da IL, sobre os atrasos na divulgação dos resultados das provas ModA e do `ranking` das escolas.
A propósito das provas ModA, Fernando Alexandre lamentou que não tenha sido possível enviar às escolas, até ao início do ano letivo, os resultados das avaliações de 2025/2026.
"Este ano, e ao contrário do que estava previsto, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) não teve capacidade de disponibilizar os resultados em tempo útil", explicou, justificando o atraso com os problemas registados no processo de classificação digital dos exames do exame secundário.
Independentemente desse constrangimento, o ministro admitiu a necessidade de mais tempo para trabalhar esses dados e disse que, por isso, o calendário das provas ModA deverá ser antecipado, passando a realizar-se em abril, e não no final de maio.
"Saindo a 20 de outubro, vai continuar a ser muito útil para as escolas, mas ficou evidente que as provas ModA têm de ser realizadas um pouco mais cedo", acrescentou.
Quanto aos `rankings`, Fernando Alexandre esclareceu que os dados referentes ao ensino secundário estão "prontos desde março", mas o processo de validação dos dados referentes ao 9.º ano foi mais demorado, devido à implementação do formato digital.
As bases de dados já foram, entretanto, disponibilizadas aos órgãos de comunicação social e serão divulgados no dia 30 de outubro.