Ribeiro Telles defende manutenção das ribeiras e pequenas barragens para prevenir cheias

Lisboa, 11 Mar (Lusa) - A manutenção das ribeiras e a construção de pequenas barragens de retenção das águas são soluções "baratas" propostas pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles para prevenir cheias em Lisboa, na véspera da discussão do plano de drenagem da cidade.

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"Defendo a recuperação das ribeiras e a retenção a céu aberto das linhas de água através de pequenas barragens", afirmou à Lusa Gonçalo Ribeiro Telles.

O executivo municipal vai discutir o Plano de Drenagem de Lisboa na quarta-feira e decidir se a equipa do consórcio Chiron/Engidro/Hidra tem "luz verde" para desenvolver as soluções para a rede de saneamento da capital, com um custo estimado em 140 milhões de euros.

As soluções técnicas apontadas passam pela construção de quatro grandes reservatórios e de um túnel entre a Almirante Reis e Santa Apolónia.

Gonçalo Ribeiro Telles escusou-se a comentar as soluções propostas, por desconhecer o plano, mas adiantou que a "manutenção das ribeiras, a céu aberto, e não como canalizações, é uma solução barata" para a prevenção de cheias.

A construção de uma bacia de retenção à saída de Amadora é outra das soluções propostas pelo arquitecto paisagista para acabar com as frequentes inundações na zona de Alcântara.

O plano de drenagem, que foi apresentado a semana passada, aponta para a construção de um "túnel de um quilómetro, com profundidade de 65 metros, entre o Martim Moniz e Santa Apolónia, conforme expôs o engenheiro José Saldanha Matos, da Hidra.

Esta é uma solução de "transvase" proposta devido à impossibilidade de se fazer um reservatório naquela zona.

O plano propõe também a construção de quatro grandes reservatórios "para atenuação dos caudais máximos", construção ou reconstrução de colectores com falta de capacidade de escoamento, aumento da capacidade elevatória da zona ribeirinha, entre outras medidas.

Na bacia de Alcântara, é proposta a construção de um reservatório na zona de Benfica - Campolide, e de um outro no ramal das Avenidas Novas.

É também proposta a construção de quatro comportas, junto ao centro comercial Fonte Nova, junto ao largo General Sousa Brandão, junto à rua Inácio de Sousa e em São Domingos de Benfica.

A construção de reservatórios no Intendente, no Vale de Chelas e na zona da Avenida de Berlim e Infante D. Henrique, são outras intervenções propostas.

O Plano de Drenagem de Lisboa é o primeiro plano geral de saneamento da capital dos últimos 40 anos, depois dos estudos de Arantes e Oliveira, em 1941, e Pedro Celestino da Costa, em 1955.

ACL.

Lusa/Fim.


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