Ricardo Salgado condenado a pagar 3,75 milhões de euros

Ricardo Salgado condenado a pagar 3,75 milhões de euros

Ricardo Salgado foi condenado esta segunda-feira pelo Tribunal da Supervisão ao pagamento de 3,75 milhões. Em causa estão as contraordenações aplicadas pelo Banco de Portugal (BdP), em agosto de 2016, por comercialização de títulos de dívida da Espírito Santo Internacional junto de clientes do Banco Espírito Santo (BES).

RTP / Adicionar como fonte informativa
Imagem de arquivo DR

Também o antigo administrador Amílcar Morais Pires foi condenado ao pagamento de 350 mil euros.

Em causa no processo estão as contraordenações aplicadas pelo BdP, em agosto de 2016, tendo Ricardo Salgado sido multado pelo supervisor numa coima de quatro milhões de euros e Amílcar Pires de 600 mil euros, de que ambos recorreram para o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS), em Santarém.

Para além das coimas aplicadas, o Tribunal decretou ainda a inibição do exercício de cargos em instituições financeiras de oito anos para Ricardo Salgado e de um ano para Amílcar Pires.

Os dois tinham sido condenados pelo Banco de Portugal ao pagamento de quatro milhões e de 600 mil euros, respetivamente, mas recorreram.
Advogado de Ricardo Salgado vai recorrer

Em dezembro, o Ministério Público pediu a redução das coimas aplicadas a Ricardo Salgado, de quatro para 3,7 milhões de euros, e ao ex-administrador Amílcar Pires, de 600 mil euros para 300 mil euros, por entender não ter ficado provado que este atuou com dolo, mas sim de forma negligente.

O advogado de Ricardo Salgado põe em causa o procedimento do Banco de Portugal e a alegada coação de testemunhas. Francisco Proença de Carvalho diz que vai recorrer da decisão.

O advogado de Ricardo Salgado diz ainda que é preciso conhecer os fundamentos, uma vez que só teve acesso à decisão.

Apesar de respeitar, Francisco Proença de Carvalho considera que a decisão "não reflete seguramente aquilo que se passou neste julgamento, e mais do que isso, o que mais me preocupa é que aparentemente tenha ficado no segredo, a questão relacionada com o comportamento do Banco de Portugal ao longo deste processo".
"Nunca na vida corrompi ninguém"
Sobre o caso Manuel Pinho, Ricardo Salgado adiantou: "Nunca na vida corrompi ninguém". O antigo banqueiro diz que não fez pagamentos ao ex-ministro da Economia e considera que a investigação à EDP "não tem pés nem cabeça".

Ricardo Salgado considera que não fazem sentido as investigações judiciais aos contratos CMEC - Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual - da EDP.

"Este caso em particular, para mim, não tem pés nem cabeça", disse o antigo presidente do Grupo Espírito Santo aos jornalistas esta segunda-feira.
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