Rio apupado por causa das obras no Mercado do Bolhão
Porto, 10 de Março (Lusa) - Cerca de quarenta pessoas apuparam hoje à noite o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, em protesto contra a intervenção que a autarquia aprovou para o Mercado do Bolhão.
O autarca dirigia-se a uma sessão da assembleia municipal e os manifestantes concentraram-se naquele local procurando sensibilizar os grupos parlamentares para a necessidade de "preservar" o Bolhão.
"Não somos contra as obras, somos contra a demolição", salientou José Maria Silva da Plataforma Cívica do Porto, uma organização que tem estado na linha da frente do combate contra os planos municipais para o Bolhão.
O objectivo principal foi entregar aos diferentes grupos parlamentares um documento intitulado "A verdade sobre o Mercado do Bolhão". De acordo com aquele responsável, "o que interessa é preservar o edifício que é património classificado e as pessoas que nele trabalham".
Pouco participada, a concentração foi convocada por aquela organização e definida como "um gesto cívico da cidade do Porto", tendo atraído sobretudo mulheres. Começou por volta das 20:30 e durou cerca de uma hora.
A autarquia portuense aprovou a 18 de Dezembro, por proposta de Rui Rio, um contrato com a empresa holandesa Tramcrone para a renovação e exploração, por 50 anos, do Mercado do Bolhão.
Alguns comerciantes instalados neste velho mercado portuense, construído há quase cem anos, temem pelo seu futuro. "O Bolhão é nosso, o Bolhão é nosso até morrer", gritaram os participantes na concentração.
A Plataforma Cívica está contra o projecto que a Câmara e a Assembleia Municipal já aprovaram e tem lançado várias iniciativas para o tentar anular. "Apresentámos uma acção no Tribunal Administrativo visando impedir a execução da deliberação aprovada pelos deputados municipais", exemplificou José Maria Silva.
Entre 21 de Março e 4 de Abril, o Orfeão do Porto receberá uma exposição sobre um projecto anterior a este, do tempo em que Fernando Gomes presidiu à Câmara, e que acabou por ser abandonado. Esse projecto mantinha as linhas gerais do Bolhão.
Em simultâneo com a exposição, no mesmo local e durante igual período, haverá "um ciclo de debates sobre o Bolhão, às sextas-feiras", tudo promovido pela Plataforma Cívica do Porto.
José Maria Silva disse à Agência Lusa que para fechar estas iniciativas está prevista "uma festa" para 5 de Abril, na Praça da Batalha, na qual os organizadores esperam ter a presença do músico Pedro Abrunhosa.
Hoje mesmo, por outro lado, foram "solicitadas, por correio, audiências com os grupos parlamentares com assento na Assembleia da República", revelou o mesmo responsável, enquanto se ouviam palavras de ordem como "shopping não, obras sim".
A Plataforma Cívica, por outro lado, também está em campo pela defesa de outros três conhecidos equipamentos públicos portuenses: os mercados Ferreira Borges e do Bom Sucesso e o Pavilhão Rosa Mota/ex-Palácio de Cristal, que, segundo José Maria Silva, a autarquia liderada por Rui Rio pretende "alienar".