Rio Tâmega galga margens em Chaves, moradores e comerciantes alertados
O rio Tâmega galgou hoje as margens na cidade de Chaves, onde algumas ruas e vias de acesso foram interditadas e moradores e comerciantes avisados para salvaguardarem os seus bens, disse o presidente da câmara
Nuno Vaz disse que o Tâmega galgou as margens primeiro na zona do balneário termal e na margem esquerda do rio, junto ao campo de futebol de praia, tendo transbordado, depois, em "vários outros locais".
"Nós neste momento, já estamos com um plano de salvaguarda e já temos um conjunto de ruas e de vias de acesso interditadas", disse o autarca do distrito de Vila Real, que falava à agência Lusa pelas 18:00.
O presidente referiu que, nesta fase, não há edifícios ou estabelecimentos comerciais "em risco" e explicou que a zona inundada é de espaços verdes, agrícola e de acessos.
"Estamos a falar de água com 10 a 12 centímetros de altura", apontou, adiantando não ter o registo, até ao momento, de "nenhum dano relevante" resultante da subida do rio.
Nuno Vaz disse que já está previamente sinalizada e identificada a área historicamente mais suscetível à cheia, tal como os moradores e comerciantes dessa zona, aos quais foi atempadamente enviada uma mensagem, via telemóvel, para se prevenirem e salvaguardarem os seus bens.
Para além disso, acrescentou, circulou ainda uma viatura municipal nas zonas mais críticas e que habitualmente ficam sujeitas a inundação com a missão de avisar os respetivos residentes.
Foi ainda feita uma reunião com a PSP, GNR e as corporações de bombeiros do concelho para uma cooperação neste processo.
O autarca disse que está a feita uma monitorização constante do causal do rio, considerando que, perante as condições (precipitação, degelo e caudal elevado proveniente de Espanha), o nível do rio poderá continuar a subir.
Mas, segundo Nuno Vaz, no concelho há também preocupações quanto às rajadas de vento previstas e com a possibilidade de queda de neve até ao 600/800 metros.
Neste sentido, explicou, os meios da Proteção Civil e dos bombeiros estão a ser preposicionados nas zonas mais sensíveis para uma atuação mais imediata em caso de neve ou de formação de gelo nas estradas.
"Vamos acompanhar a evolução da situação e, se necessário for, tomar-se-á uma decisão que acautele as pessoas e os bens", referiu.
O município apela à população para a adoção de comportamentos preventivos, recomendando que sejam evitadas deslocações desnecessárias, a não permanência em áreas arborizadas ou locais expostos ao vento e uma especial atenção à circulação rodoviária face ao risco de gelo, neve e queda de gelo.
O distrito de Vila Real encontra-se sob aviso laranja devido à queda de neve, vento e precipitação.
Mais a sul, no Peso da Régua, junto ao Douro, a câmara interditou a zona ribeirinha (ecopista e os cais fluviais da Régua e Junqueira) por causa da subida do caudal do rio que já inundou parte destes espaços. No bar existente no cais da Régua já tinham sido retirados previamente equipamentos.
Na Via Navegável do Douro (VND) foi hoje ativado o alerta Laranja de cheias na albufeira do Carrapatelo (abaixo da Régua) o que levou a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) interditar e navegação de embarcações com menos de 12 metros de comprimento nesta albufeira.
Em toda a extensão da VND, mantém-se a interdição de navegação noturna e de navegação a cinco quilómetros de barragens/eclusas.
Ainda no distrito, em Santa Marta de Penaguião, devido à intensidade da água cedeu a barreira de proteção da ponte do Corgo, na Estrada Municipal 1305, e os acessos estão condicionados para Alvações do Corgo.
Em Valpaços, a ponte entre Rio Torto e Miradeses (Mirandela) está submersa e, consequentemente intransitável, devido à subida do rio Rabaçal.
Em Vila Real, município encerrou o parque florestal até, pelo menos, quinta-feira.
A depressão Kristin passará por Portugal na próxima madrugada, com maior impacto entre as três e as seis da manhã, acompanhada de vento muito intenso, podendo as rajadas atingir os 140 quilómetros por hora.