País
Risco sísmico. Portugal deveria "reforçar a capacidade estrutural dos hospitais"
Mais uma vez, um sismo de grande magnitude no estrangeiro vem relembrar o risco sísmico que também Portugal sofre. Especialistas alertam para a instabilidade de edifícios mais antigos, entre os quais hospitais.
Portugal deveria pensar na importância de reforçar a capacidade dos hospitais para garantir a sua operacionalidade em caso de sismo. O alerta é de Nelson Olim, especialista em medicina humanitária, conflito e catástrofe, que falou com a RTP Notícias a propósito do recente abalo na Colômbia.
“Para aqueles que vivem em zonas sísmicas, como é o caso português, vale muito a pena pensar na importância de reforçar a capacidade estrutural dos nossos hospitais, porque em situações de crise eles vão ter uma procura mais [elevada] do que alguma vez tiveram e não convinha que o próprio hospital estivesse em estado de crise”, alertou.
Na Colômbia, atingida na segunda-feira por um sismo de magnitude 7,4, os hospitais estão sobrecarregados, em especial na cidade de Cali, a mais afetada pelo abalo.
“Este é um cenário que tem vindo a ser repetido ao longo do tempo e nos últimos sismos a que nós temos assistido, seja na Turquia, seja na Venezuela, seja agora na Colômbia”, disse Nelson Olim à jornalista da RTP Vânia Pereira Correia.
“Vemos exatamente o mesmo efeito, ou seja, temos hospitais que não estão suficientemente preparados para resistir a abalos e isso provoca uma segunda crise em cima da crise”, acrescentou. Na região de Cali, quase uma dezena de grandes hospitais sofreram danos e os doentes tiveram de ser retirados. Os hospitais “estão eles próprios em situação de catástrofe”, vincou o especialista em medicina humanitária.
Com os grandes hospitais da zona danificados, a solução para socorrer os feridos passa pela ativação dos hospitais de periferia, sendo urgente estabelecer “linhas de evacuação que permitam fazer com que os doentes nas zonas mais afetadas vão ser tratados nas zonas mais distantes”.
“É a única forma, porque nós não podemos pedir a hospitais que neste momento estão em processo de evacuação (…) que consigam ter a capacidade de absorver este excesso de doentes que vão aparecer”, disse à RTP este especialista.Número de mortos deverá ser “muito inferior” ao do sismo na Venezuela
Segundo Nelson Olim, estima-se que o número total de vítimas mortais do sismo na Colômbia seja “muito inferior” ao do sismo na Venezuela.
“As estimativas iniciais apontam para dez a 12 mil” mortos no caso colombiano, com um número de feridos habitualmente três vezes superior, ou seja, 30 a 26 mil, detalhou.
Isto porque, apesar da magnitude semelhante, este sismo aconteceu a uma profundidade cerca de dez vezes maior, levando a que a intensidade à superfície tenha sido “completamente diferente” e havendo menos edifícios a colapsar.
As estimativas apontam para cerca de dez a 15 por cento de feridos muito graves, em perigo de vida, e entre 40 a 60 por cento de feridos ligeiros, com pequenas escoriações, que podem nem recorrer aos serviços de saúde.
Entre 20 a 35 por cento serão feridos moderados, com lesões que requerem tratamento hospitalar, como fraturas expostas ou feridas profundas. “Este é o grupo que acaba por sobrecarregar os hospitais”, explicou Nelson Olim.
“Para aqueles que vivem em zonas sísmicas, como é o caso português, vale muito a pena pensar na importância de reforçar a capacidade estrutural dos nossos hospitais, porque em situações de crise eles vão ter uma procura mais [elevada] do que alguma vez tiveram e não convinha que o próprio hospital estivesse em estado de crise”, alertou.
Na Colômbia, atingida na segunda-feira por um sismo de magnitude 7,4, os hospitais estão sobrecarregados, em especial na cidade de Cali, a mais afetada pelo abalo.
“Este é um cenário que tem vindo a ser repetido ao longo do tempo e nos últimos sismos a que nós temos assistido, seja na Turquia, seja na Venezuela, seja agora na Colômbia”, disse Nelson Olim à jornalista da RTP Vânia Pereira Correia.
“Vemos exatamente o mesmo efeito, ou seja, temos hospitais que não estão suficientemente preparados para resistir a abalos e isso provoca uma segunda crise em cima da crise”, acrescentou. Na região de Cali, quase uma dezena de grandes hospitais sofreram danos e os doentes tiveram de ser retirados. Os hospitais “estão eles próprios em situação de catástrofe”, vincou o especialista em medicina humanitária.
Com os grandes hospitais da zona danificados, a solução para socorrer os feridos passa pela ativação dos hospitais de periferia, sendo urgente estabelecer “linhas de evacuação que permitam fazer com que os doentes nas zonas mais afetadas vão ser tratados nas zonas mais distantes”.
“É a única forma, porque nós não podemos pedir a hospitais que neste momento estão em processo de evacuação (…) que consigam ter a capacidade de absorver este excesso de doentes que vão aparecer”, disse à RTP este especialista.Número de mortos deverá ser “muito inferior” ao do sismo na Venezuela
Segundo Nelson Olim, estima-se que o número total de vítimas mortais do sismo na Colômbia seja “muito inferior” ao do sismo na Venezuela.
“As estimativas iniciais apontam para dez a 12 mil” mortos no caso colombiano, com um número de feridos habitualmente três vezes superior, ou seja, 30 a 26 mil, detalhou.
Isto porque, apesar da magnitude semelhante, este sismo aconteceu a uma profundidade cerca de dez vezes maior, levando a que a intensidade à superfície tenha sido “completamente diferente” e havendo menos edifícios a colapsar.
As estimativas apontam para cerca de dez a 15 por cento de feridos muito graves, em perigo de vida, e entre 40 a 60 por cento de feridos ligeiros, com pequenas escoriações, que podem nem recorrer aos serviços de saúde.
Entre 20 a 35 por cento serão feridos moderados, com lesões que requerem tratamento hospitalar, como fraturas expostas ou feridas profundas. “Este é o grupo que acaba por sobrecarregar os hospitais”, explicou Nelson Olim.