Romaria d`Agonia começa sem festa na rua mas com Viana do Castelo cheia de gente

A Romaria d`Agonia, em Viana do Castelo, começa na quarta-feira sem festa nas ruas, mas com a cidade cheia de gente para "sentir" os principais números através do digital, disse hoje o presidente da Câmara.

Lusa /

"Estamos satisfeitos pela grande afluência de visitantes à cidade. É muito bom para a dinamização de hotéis, restaurantes e do comércio tradicional. Nestes dias das festas vamos proporcionar a quem nos visita um conjunto de exposições de rua e nos museus para que quem nos visita possam ter uma ideia do que são as festas e se inteirarem do sentimento da romaria", afirmou hoje à Lusa José Maria Costa.

O autarca socialista adiantou que a "grande novidade" do primeiro dia da romaria acontecerá às 19:30, com o lançamento nas redes sociais de um vídeo intitulado "Havemos de Ir a Viana".

"É um vídeo feito pela comissão de festas com a participação de vários artistas de Viana do Castelo que interpretam o fado imortalizado por Amália Rodrigues", explicou.

Este ano, pela primeira vez em mais de 248 anos, por causa do surto do novo coronavírus, os números da Romaria d`Agonia, que decorre entre os dias 19 e 23, e que são habitualmente vividos nas ruas da cidade, serão celebrados em formato digital, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Em cada um dos dias e, no horário a que habitualmente se realizariam os principais quadros das festas, serão lançados conteúdos multimédia nas redes sociais.

Além do vídeo, será ainda assinalada, cerca das 22:30, a confeção dos tapetes floridos nas ruas da ribeira.

Habitualmente, a confeção dos desenhos, gravados em cinco ruas e uma alameda da ribeira, com mais de 30 toneladas de sal colorido, mobiliza centenas de pessoas.

A "noite dos tapetes", como é localmente conhecida, atrai milhares de forasteiros que se perdem pelas tasquinhas da ribeira, animadas durante toda a madrugada com concertinas e cantares ao desafio.

É por aqueles tapetes que, no dia seguinte, 20 de agosto, o andor da padroeira dos pescadores irá passar no regresso da procissão ao rio e ao mar.

Nesse dia, feriado municipal, as margens do rio Lima enchem-se. São milhares de pessoas concentradas para ver e saudar a procissão, envolvendo mais de uma centena de embarcações de pesca e de recreio.

O culto à santa tem a sua primeira referência escrita em 1744. Já a procissão, em sua honra, cumpre-se sempre a 20 de agosto, desde 1968.

Este ano, haverá uma missa campal no Campo d`Agonia, com capacidade para acolher 800 pessoas, sentadas, mas a procissão ao mar e ao rio não se realizará nos moldes habituais, para impedir a aglomeração de pessoas. Simbolicamente será instalada na doca a traineira Monsenhor Daniel Machado e, no seu interior, uma imagem da Senhora d`Agonia.

O dia termina com um concerto de Augusto Canário e Amigos para as redes sociais, quando nas edições anteriores o espetáculo enchia o Campo d`Agonia, onde também funcionavam os equipamentos de diversão.

Sexta-feira, é dia desfile da mordomia, em formato digital, recordando anos anteriores, como o de 2019, quando juntou mais de 600 mulheres, de sete países, envergando todos os trajes de festa de Viana do Castelo.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressaem o vermelho e o preto, foi utilizado até há mais de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações, num quadro único e colorido pelos vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias.

Neste número, algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a "chieira" [termo minhoto que significa orgulho e vaidade] e outrora o poder financeiro das famílias.

Este ano, os presidentes da Câmara e da Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho e outras personalidades locais têm apelado à população para trocar a roupa do dia-a-dia pelo traje secular à Vianesa, como forma de "manter o brilho" da romaria "em tempo" de pandemia de covid-19.

A tradicional alvorada, que todos os anos anuncia cada um dos dias de festa, só acontecerá a partir de quinta-feira e até domingo. Sem efeito ficou a revista de gigantones e cabeçudos, outro dos principais quadros da romaria. Acontecem sempre ao meio-dia, no ex-líbris da cidade, a Praça da República. Doze morteiros anunciam o ritmo ensurdecedor dos bombos acompanhados dos gigantones e cabeçudos que dançam de uma forma desajeitada perante milhares de pessoas.

A Romaria d`Agonia, que decorre este ano entre 20 e 23 de agosto, é considerada uma das principais festividades do País, remontando as suas origens a uma via-sacra referenciada em documentos do século XV.

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