Rui Moreira satisfeito com "excelente decisão" e acredita que Alcochete conviverá com a Portela
Porto, 10 Jan (Lusa) - O presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) congratulou-se hoje com a "excelente decisão" do Governo de construir o novo aeroporto em Alcochete, manifestando-se convicto de que este funcionará complementarmente à Portela ainda durante vários anos.
"Parece-me que [a opção pela localização do novo aeroporto em Alcochete em detrimento da Ota] é uma excelente decisão para Portugal. O Governo decidiu bem, com toda a prudência", afirmou Rui Moreira em declarações à agência Lusa.
Segundo salientou, a decisão do executivo - tomada hoje em Conselho de Ministros, com base no estudo comparativo encomendado ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) - "é uma solução de compromisso entre o estudo da ACP e o da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP)".
No estudo da ACP, divulgado em Novembro passado, os técnicos do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica (a quem a associação encomendou o trabalho) apontavam a solução "Portela+Montijo" como a mais indicada para o novo aeroporto de Lisboa, mas admitiam também como alternativa viável o modelo "Portela+Alcochete".
Este estudo defende a manutenção do esquema "Portela+1" até que o actual Aeroporto de Lisboa atinja o limite de 18 milhões de passageiros por ano, altura em que deixa de conseguir responder à procura e o tráfego aéreo deverá ser transferido para o aeroporto até então complementar, preferencialmente localizado no Montijo.
Já o estudo patrocinado pela CIP, conhecido em Junho passado, aponta a área do Campo de Tiro de Alcochete como alternativa à Ota.
Embora na conferência de imprensa em que, hoje, o Primeiro-Ministro anunciou a escolha de Alcochete para acolher o novo aeroporto não tenha sido esclarecido se o Governo optará por manter simultaneamente a Portela em operação, Rui Moreira afirma-se convicto de que tal acontecerá.
"[A solução] passa certamente por aí, não tenho dúvidas nenhumas", afirmou à Lusa.
É que, sustentou, o próprio estudo do LNEC em que o Governo baseou a sua decisão "indica que a Portela pode viver até 2020, ficando Alcochete pronto em 2013".
"Foi exactamente o que nós dizíamos", acrescentou, congratulando-se que o que a ACP dinamizou como tomada de "posição da sociedade civil" tenha contribuído para a tomada da decisão política.
Questionado sobre se o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, tem condições para continuar no cargo após ter defendido fortemente a Ota e recusado uma alternativa na margem Sul do Tejo, Rui Moreira considerou que o assunto é "demasiado importante para o país" para se entrar neste tipo de "questões políticas".
"Acho que esta é uma decisão o Governo de que o ministro faz parte", sustentou, considerando que "não é preciso alterar a composição do Governo para alterar uma decisão".
"A partir do momento em que o Governo decidiu fazer um estudo comparativo [entre a Ota e Alcochete] reconheceu que as suas convicções não estava suficiente fundamentadas", acrescentou.
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