Rui Rio apoia decisão de Pinto Monteiro e quer "reforma profunda" da PJ/Porto
Porto, 13 Dez (Lusa) - O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, manifestou hoje apoio à decisão do Procurador-Geral da República de nomear uma equipa especial para investigar a onda de crimes na cidade, frisando ser necessária uma "profunda reforma" da PJ/Porto.
"Ainda bem que o Procurador-Geral da República não assobiou para o lado, como é comum em Portugal, assumiu a responsabilidade que lhe cabe e fez qualquer coisa", afirmou Rui Rio, em declarações à Lusa.
No entanto, o autarca salientou que "daqui a um ou dois anos não se pode tomar uma medida idêntica sobre outro assunto qualquer, pois é preciso fazer uma reforma profunda da PJ/Porto, que não funciona bem".
O presidente do Câmara do Porto comentava a decisão do Pinto Monteiro de nomear uma equipa especial de investigação, liderada por Helena Fazenda, para tratar das questões relacionadas com as mortes ocorridas na cidade nos últimos meses ligadas aos negócios da noite.
Para Rui Rio, a decisão de Pinto Monteiro tem motivos "mais do que óbvios", considerando ser "evidente que a PJ/Porto não tem tido uma resposta capaz e tem mostrado alguma impotência para lidar com esta situação".
"É óbvio que o procurador faça alguma coisa e procure que, dentro da PGR e da PJ, apareça quem tenha capacidade para fazer melhor", salientou.
Rui Rio frisou que não é possível saber nesta altura se a equipa nomeada por Pinto Monteiro vai ou não fazer melhor do que fez até agora a PJ/Porto, mas defendeu que a situação "não podia continuar assim, porque a população critica, com razão, a ausência de resultados e até de informação".
Nas declarações que prestou em exclusivo à Lusa, o presidente da Câmara do Porto recordou que "não é a primeira vez que PJ/Porto falha", pelo que afirmou esperar que a decisão do Procurador-Geral da República também tenha consequências ao nível da reforma daquela instituição policial.
"Espero que, de uma vez por todas, se faça uma reforma na PJ/Porto para que esta instituição passe a responder de forma mais capaz", afirmou, esclarecendo, no entanto, que esta posição "não tem nada a ver com o actual director da PJ/Porto".
"Mesmo que Lisboa consiga responder agora ao que o Porto não conseguiu responder, é preciso, depois, saber por que é que o Porto não foi capaz de responder", frisou, acrescentando que "não é solução estar sempre a chamar outras instâncias para virem resolver os problemas".
Rui Rio defendeu ainda a necessidade de serem devidamente esclarecidas as suspeitas que apontam para a existência de ligações entre elementos policiais e os negócios da noite portuense.
"É preciso clarificar a situação porque, se essas ligações existem, o problema é extremamente grave e tem que ser resolvido. A sociedade não suporta uma policia ineficaz e sobre a qual haja suspeitas, fundadas ou infundadas", afirmou.
FR.