Rui Rio reafirma confiança em vereador comunista
O presidente social-democrata da Câmara do Porto, Rui Rio, reafirmou hoje a sua "confiança" no vereador da CDU, Rui Sá, no dia em que substituiu dois autarcas da sua coligação.
Rui Rio fez hoje uma remodelação do executivo camarário que envolveu a atribuição de novas tutelas a Paulo Morais (PSD) e a substituição de Ricardo Figueiredo (PSD) e Marcelo Mendes Pinto (CDS- PP), três dos seis vereadores a quem atribuiu pelouros.
Aos restantes três, Paulo Cutileiro (PSD), Fernando Albuquerque (CDS-PP) e Rui Sá (CDU), reafirmou a sua "confiança, consciente de que, também para eles, esta é uma oportunidade para reforçarem a sua acção".
"Estou certo que os portuenses reconhecerão, nas alterações aqui anunciadas, a minha determinação para dotar o executivo de um élan acrescido e de uma harmonia e coesão reforçadas", afirmou Rui Rio.
O presidente da câmara garantiu que vai ser dada uma "atenção acrescida" ao sector da Cultura, agora que o actual deputado Marcelo Mendes Pinto deu lugar a outro eleito pelo CDS-PP, António Sousa Lemos.
Rui Rio classificou a outra nova vereadora, a social-democrata Matilde Alves, a "pessoa certa" para o sector da Habitação, dadas as suas "qualidades humanas, competência técnica e conhecimento do pelouro" (foi até hoje administradora da Empresa Municipal da Habitação).
Na declaração de anúncio da remodelação do executivo, Rui Rio nada disse sobre o desempenho de Marcelo Mendes Pinto, mas agradeceu repetidamente o "trabalho e dedicação" do ex-vereador do Urbanismo e Mobilidade, Ricardo Figueiredo.
"Hoje todos os agentes económicos e munícipes que têm assuntos a tratar neste sector reconhecem que foi posto termo a situações escandalosas que eram prática corrente no Urbanismo", salientou.
Rui Rio explicou que Ricardo Figueiredo lhe manifestou por diversas vezes intenção de sair do executivo, mas que pediu ao vereador do Urbanismo que ficasse até à aprovação do Plano Director Municipal, o que aconteceu terça-feira.
Após a leitura da declaração, o vereador socialista Orlando Gaspar afirmou que esta remodelação é prejudicial para a Câmara e para a cidade do Porto, particularmente pela atribuição do pelouro do Urbanismo ao vice-presidente, Paulo Morais.
"Com esta mudança, o Urbanismo fica pior. O novo vereador será, com certeza, um desastre", frisou Orlando Gaspar, classificando o pedido de demissão de Ricardo Figueiredo como um "sinal de fraqueza" do arquitecto e professor universitário.
Para o vereador do PS, a situação política na autarquia é "grave", pelo que, em sua opinião, "o povo do Porto não se vai deixar enganar outra vez" nas eleições autárquicas de Outubro de 2005.
"Este grupo [coligação PSD/CDS-PP] foi feito à pressa, porque não era para ganhar as eleições. É uma equipa fraca e incompetente", afirmou.