Rui Solheiro homenageado sábado pelos 25 anos como presidente da Câmara
Viana do Castelo, 29 Nov (Lusa) - O presidente da Câmara de Melgaço, Rui Solheiro (PS), é homenageado sábado pelas suas "bodas de prata" naquele cargo, que ocupa desde os 28 anos de idade, mas que admite abandonar no final deste mandato.
"Não é muito certo que me recandidate. São 25 anos dedicados de corpo e alma à Câmara, quase sem tempo para mim ou para a minha família. Penso que é chegada a altura de parar para pensar, porque a mulher e os filhos queixam-se, e com toda a razão, da minha ausência", refere.
No entanto, o autarca não se atreve a fechar definitivamente a porta a mais um mandato, pois a "paixão" da vida pública não o larga e porque ainda tem "em carteira" mais alguns projectos estruturantes para o concelho.
Bancário de profissão, casado, pai de três filhos e com 53 anos de idade, Rui Solheiro está na Câmara de Melgaço desde 1979, tendo começado por cumprir um mandato da oposição ao Executivo então liderado pela Aliança Democrática.
Em Dezembro de 1982 liderou a lista do PS e foi eleito presidente da Câmara, vitória que viria a repetir em todos as autárquicas realizadas desde então, sempre alcançando maiorias absolutas.
"Esta só pode ser a prova de que o eleitorado reconhece o meu trabalho", afirmou.
O seu primeiro vencimento líquido, como presidente da Câmara, foi de 44.400$00 [222 euros] e o Orçamento do seu primeiro ano de mandato atingiu 400 mil euros.
Esses tempos eram, naturalmente, bem diferentes dos actuais, em que Solheiro tem um vencimento base de 3.269 euros e o Orçamento da Câmara de Melgaço ascende a 15,8 milhões de euros.
"Quando olho para estes números é que me apercebo como o tempo passa. Sabia que ainda sou do tempo em que as comunicações eram feitas por telex?", questionou, com alguma nostalgia.
Em relação à obra feita, sublinha a retirada do concelho do isolamento a que estava votado, com a construção de uma nova estrada desde Valença, substituindo a que existia "que era horrível e tinha mais de 100 curvas".
"Essa foi a nossa primeira grande luta e reivindicação política, que foi satisfeita em 1997, com a conclusão da nova estrada", recorda.
O autarca realça ainda, em termos de acessibilidades, a construção de uma nova ponte internacional sobre o rio Minho, a abertura de um circuito interior igualmente de ligação à Galiza e uma aposta "forte" na viação rural, para que os automóveis poderem chegar aos mais de 400 lugares do município.
A cobertura total do concelho com abastecimento domiciliário de água, a construção de sedes para todas as juntas de freguesia e a universalização do ensino pré-primário são outras das "medalhas" dos 25 anos da "gestão Solheiro".
Durante este quarto de século, Melgaço "apetrechou-se" ainda com piscinas municipais, um novo palácio da justiça e um centro de estágios que já acolheu várias equipas e selecções nacionais e internacionais de futebol.
Para o futuro imediato, a Câmara propõe-se lançar concurso público, já em Dezembro, o projecto para a construção de raiz de uma escola superior, integrada no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, que deverá significar um investimento da ordem dos 3,5 milhões de euros.
"A nossa aposta é elevar para três ou quatro cursos a oferta de ensino superior no concelho, que neste momento se cinge ao curso de Desporto e Lazer", referiu Solheiro, admitindo que a nova escola estará pronta "dentro de dois ou três anos".
Por outro lado, a Câmara quer ainda criar, através de um investimento de quatro milhões de euros, "uma zona para eventos", numa área com quatro hectares, que passará também a acolher a feira da vila, libertando o actual espaço para parque de estacionamento.
Outra aposta é a criação de um parque empresarial, com 20 hectares, voltado para as áreas das formação, ambiente e novas tecnologias, aproveitando o "nascimento", no outro lado do rio Minho, na Galiza, de uma grande plataforma logística.
A homenagem de sábado, em que deverão marcar presença 750 pessoas, conta com uma comissão de honra em que surgem figuras como Mário Soares, José Sócrates, António Guterres, Jorge Coelho e o presidente da Junta da Galiza, Emílio Perez Touriño.
A mesma comissão integra também todos os presidentes de Câmara do Alto Minho, à excepção do de Viana do Castelo, Defensor Moura (PS), que sempre manteve um profundo distanciamento em relação à linha política traçada por Rui Solheiro, líder da Federação Distrital socialista desde 1992.
"Não tenho nada a ver com a organização, mas sei que todos os presidentes de câmara que foram convidados para integrar a comissão de honra aceitaram o convite", disse Solheiro, sem querer alimentar quaisquer outras polémicas sobre o assunto.
Rui Solheiro é ainda vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, presidente da Associação Nacional de Autarcas do Partido Socialista, membro da Comissão Política Nacional do PS e presidente da Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho.
VCP.