Ruínas romanas poderão ser visitadas por turistas-mergulhadores
A exploração turística das ruínas romanas existentes ao largo de Quarteira, utilizando um barco com fibra de vidro e recorrendo ao mergulho, será possível em breve, segundo um projecto apresentado hoje em Vilamoura.
Num seminário sobre a valorização turística do património arqueológico submerso ao largo daquela cidade algarvia foram também preconizadas visitas turísticas a um avião norte-americano que caiu no mar durante a Segunda Guerra Mundial.
Subscrito pela empresa "Hipocausto", o projecto - apresentado pelo especialista Manuel Canelas Maia - é o último dos 17 programas já elaborados no âmbito da Inovalgarve, uma iniciativa da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, com o apoio de fundos comunitários.
Durante dez meses, vários especialistas procederam à recolha de informação e à exploração dos sítios arqueológicos da costa e do mar de Quarteira, para propor a sua exploração turística.
Se forem concretizadas as pretensões dos seus promotores, o projecto servirá de base a um concurso público, coordenado pela CCDR/Algarve, com o apoio do Instituto Português do Património Arqueológico (IPPA) e da Câmara Municipal de Loulé.
O projecto preconiza passeios de barco, mergulho com garrafa e a utilização de motos de água para visitar as ruínas romanas existentes ao largo, parcialmente dinamitadas e destruídas pelo navio "Patrão Joaquim Lopes" em 1930, devido às dificuldades que causavam à navegação.
Desconhecem-se as características exactas daquelas ruínas, embora os investigadores tenham encontrado vários relatos históricos que confirmam a tese popular segundo a qual se trataria de uma grande cidade romana do sul peninsular.
Dado o avanço do mar, actualmente da ordem dos 30 centímetros por ano, grande parte da costa de Quarteira foi submersa ao longo dos séculos, admitindo-se a existência de um vasto património arqueológico ainda por descobrir.
A exploração turística do mar de Quarteira implicará a interdição da pesca no local e um controlo reforçado por parte das autoridades marítimas, para evitar a presença de eventuais "caçadores" de artefactos arqueológicos.
O estudo abrangeu uma extensão de quatro quilómetros ao longo do litoral e alcançou um limite de 700 metros para fora da costa, numa área de quase 30 quilómetros quadrados.
Identificou também vários locais passíveis de exploração turística no litoral, designadamente as ruínas de Loulé Velho, o Forte Novo (antigo posto da GNR, que se desmoronou na década de 70), Torre de Quarteira, Vinhas do Casão e Cerro da Vila.
Do projecto - que envolveu pesquisa documental, levantamento topográfico e investigação submarina - faz parte ainda a edição de um CD-Rom com reconstrução virtual dos locais em 03 dimensões.
Exceptua-se as ruínas romanas, uma vez que não há elementos objectivos que permitam definir qual a natureza do local, tão-pouco se se tratava de uma cidade ou de um porto.
O seminário decorre até sábado num hotel de Vilamoura, com especialistas em História, Arqueologia e Turismo.