A escolha entre uma linha circular ou em laço continuou em suspenso até que, em outubro do ano passado, a secretária de Estado da Mobilidade foi categórica:
“A linha circular é para manter”.
Numa audição parlamentar para o Orçamento de Estado 2026, no dia 31 de outubro, justificou a escolha como sendo a mais eficiente e que traz um transbordo para um menor número de pessoas.
Cristina Pinto Dias | 31 de outubro de 2025
Perante a falta de novidades, o presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Ricardo Mexia, revela à Antena 1 que
pediu uma reunião com a nova administração do Metropolitano de Lisboa “para obter esclarecimentos diretamente sobre qual a perspetiva de evolução” na linha circular, mas também uma eventual expansão da linha vermelha do Aeroporto ao Campo Grande e alguns melhoramentos neste terminal.
Antena 1
O autarca afirma que esperava um anúncio sobre os estudos que dariam a conhecer as vantagens de uma linha circular ou em laço. “
Aguardamos feedback, mas a nossa posição mantém-se inalterada:
somos contra a linha circular e mantemos a opção alternativa da linha em laço”, defende.
O tempo de apresentar as soluções, como referiu Pinto Luz, ainda não chegou. Desde a primeira semana de dezembro que a Antena 1 questionou o Metro de Lisboa e o Governo, através do Ministério das Infraestruturas, para perceber se as declarações de Pinto Dias em outubro eram o anúncio definitivo de que se iria avançar com a linha circular.
Apesar da insistência antes e depois de a nova administração do Metro iniciar funções a 1 de janeiro, não foi obtida resposta. Esta quarta-feira, a Antena 1 questionou presencialmente Miguel Pinto Luz, que recusou responder a jornalistas à margem num evento dos 50 anos da Transtejo. Também foi abordada a nova presidente do Metro, Cristina Vaz Tomé, que adiou uma resposta sobre este assunto para o futuro.
Odivelas mantém ligação ao Rato nas horas de ponta?
Sobre o desejo da linha em laço, Pinto Dias referiu uma decisão presa a um novo investimento: “Se os dinheiros de Portugal chegarem, passar de uma linha circular para laço tal como está programada é possível desde que se invistam mais 10 a 14 milhões de euros”.
Defensor de uma solução mista (modelo circular e em laço), o autarca de Santa Clara, Carlos Castro, diz que esse valor é “residual” e espera que o Governo “possa reavaliar a sua posição”, combinando as vantagens da linha circular dentro de Lisboa, mas também para “servir bem o norte da cidade e a área norte da Área Metropolitana de Lisboa”.
A Câmara Municipal de Odivelas também defende a realização desse investimento, embora tenha nesta altura outras questões para o Governo.
Numa carta consultada pela Antena 1, enviada em novembro ao Ministério das Infraestruturas, questiona se continuava de pé uma promessa ainda dos governos anteriores PS, de manter a ligação atual Odivelas - Rato nas horas de ponta.
Além de questionar afinal quando começa a anunciada linha circular, pergunta "se a tutela manterá a posição assumida anteriormente pelo PSD e que foi reiterada pelos anteriores Governos, garantido que existirá a partilha da linha circular com a linha amarela, pelo menos nos períodos de maior procura".
Já em declarações à Antena 1, o presidente da câmara, Hugo Martins, mostrou-se surpreendido com o teste de sinalética da linha circular: "Foi com grande surpresa e preocupação que assistimos recentemente à colocação de sinalética inerente ao funcionamento da futura linha circular", levando o autarca a escrever ao ministro.
Antes de começar, haverá uma linha em arco?
Seja ou não um sinal de que a linha circular avança, certo é que em 2018 o
Estudo de Impacto Ambiental já antevia os prós e os contras desta solução.
Antevendo que beneficiaria um maior número de passageiros, também reconhece que a população servida pelas estações de Odivelas, Senhor Roubado, Ameixoeira, Lumiar e Quinta das Conchas teria de fazer mais transbordos para chegar a outras partes de Lisboa - para chegar às linhas vermelha e azul, passaria a ser necessário dois transbordos.
As deslocações entre as cinco estações referidas e a linha azul aumentará, em média, 45 segundos a viagem no período de ponta da manhã; 1 minuto na linha vermelha (exceto Alameda); e dois minutos entre as estações Cidade Universitária e Rato, que ainda pertencem à linha amarela.
No entanto, o documento também frisava que os passageiros seriam beneficiados com uma frequência entre comboios mais reduzidas na linha circular, com um intervalo esperado de 3 minutos e 50 segundos entre comboios.
Ainda antes da entrar em funcionamento a linha circular, o Metro de Lisboa previu uma linha em "arco", isto é, sem incluir as estações de Estrela e Santos.
é referida uma "linha verde (arco) definida entre Rato e Cais do Sodré".
Com a mais recente estimativa fixada no segundo semestre de 2026 para arrancar a linha circular, a Antena 1 questionou se seria mantida esta solução, em que período e o que justifica o seu uso. Tal como outras perguntas, não houve resposta do Governo e do Metro de Lisboa.