Saída de director de Ortopedia do Hospital de Leiria põe fim a conflito laboral

A saída do director da Ortopedia do Hospital de Leiria e a criação de dois grupos autónomos no sector pôs hoje o fim a um conflito laboral que dividia os médicos desta especialidade desde 2002.

Agência LUSA /

No final de uma reunião realizada hoje, o conselho de administração, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro e os médicos contestatários chegaram a um acordo que passa pela criação de dois grupos autónomos dentro da Ortopedia e pela demissão do director de serviço, Carlos Mariano.

Ao longo de mais de dois anos, oito dos 15 ortopedistas do hospital de Leiria acusavam o director de serviço de prepotência e de pôr "a produtividade acima dos riscos para os doentes".

Agora, e devido ao acordo alcançado, o sindicato deverá anunciar ainda hoje a suspensão da greve que deveria ter início terça- feira, disse o delegado do Sindicato dos Médicos da Zona Centro, António Sá.

"Acordou-se numa situação que resolve todos os problemas", considerou Fernando Andrade, presidente da ARS do Centro, explicando que serão criados dois sectores que reportam directamente ao conselho de administração do hospital, eliminando-se a figura do director de serviço.

Por outro lado, a distribuição do trabalho pelos ortopedistas será feita de forma proporcional ao número de médicos em cada grupo, adiantou o presidente da ARS.

Um dos grupos deverá incluir seis a sete médicos que apoiam o director de serviço cessante - que não irá assumir qualquer função de coordenação - , enquanto os restantes oito clínicos vão compor outro sector, com um coordenador autónomo.

"Ambas as partes estão de acordo e penso que ficaremos com uma solução que resolve o conflito", sublinhou o presidente da ARS.

Opinião semelhante manifestou António Sá, que se mostrou satisfeito com o resultado obtido, depois de dois anos e três meses de protestos, que incluíram oito greves.

"Agora, a nossa preocupação é cumprir as nossas obrigações e dignificar o hospital, que é uma coisa que não tem acontecido", afirmou, lamentando o atraso com que esta polémica foi esclarecida.

"Isto era um problema que deveria ter sido resolvido de outra maneira, mas era preciso que as pessoas estivessem abertas ao diálogo", justificou.

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