Saída do presidente é "uma forma de esvaziar" o Hospital de Cantanhede - PS

A concelhia do PS de Cantanhede considerou esta quinta-feira que a saída do presidente da administração do Hospital de Cantanhede é "uma forma de esvaziar" o hospital e é mais um passo para a sua privatização.

Lusa /

O Conselho de Ministros nomeou hoje um novo conselho de administração para o Centro Hospitalar do Baixo Vouga, que será presidido por Aurélio Rodrigues, que era até agora presidente do conselho de administração do Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede.

Para o presidente da concelhia do PS de Cantanhede, Pedro Carrana, a saída do presidente do conselho de administração é "mais uma machadada para um fim que muitos já anunciam" - a privatização.

"Atendendo aos rumores que se vão falando de uma possível privatização do hospital e passagem da gestão para a União das Misericórdias, a saída do presidente adensa ainda mais essa preocupação", disse à agência Lusa Pedro Carrana.

O presidente da concelhia criticou a Administração Regional de Saúde do Centro por "não ouvir as forças vivas" do concelho, referindo que já "há algumas pessoas que começam a baixar os braços" na luta pela permanência do hospital dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Apesar de não ter nada "contra a União das Misericórdias", não vê com bons olhos a transferência da gestão para a mesma, porque dessa forma o hospital passa a ter "uma gestão privada", explanou.

"Isso é uma espécie de PPP (parceria público-privada)", notou, defendendo que o Hospital Arcebispo João Crisóstomo continue público e mostrando preocupação nos serviços que o hospital vai oferecer e na manutenção dos postos de trabalho dos funcionários.

Também hoje, o PS de Cantanhede informou que abandonou a participação numa comissão criada na Assembleia Municipal, com o objetivo de acompanhar "a situação do hospital".

Após a realização de diversas reuniões, a concelhia socialista entendeu recusar a participação na comissão porque "toda a narrativa" que recebia era "no sentido de tornar esta passagem do hospital para as Misericórdias como algo irreversível", salientou Pedro Carrana.

Em dezembro, o secretário de Estado Adjunto da Saúde afirmou que está a ser discutida "a devolução da gestão à [Santa Casa da] Misericórdia" do Hospital de Cantanhede, como já aconteceu nos hospitais de Fafe, Anadia e Serpa.

Caso tal se concretize, o hospital "mantém-se no Serviço Nacional de Saúde", em que "as pessoas com vínculo ao Estado continuam com esse vínculo", disse Fernando Leal da Costa.

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