Salgado defende reserva de casas a custos controlados para recuperar população
Lisboa, 09 Fev (Lusa) - O vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, apontou hoje a reserva de uma percentagem de fogos nos edifícios para habitação a custos controlados como uma das boas soluções para a cidade recuperar população.
"É preciso reflectir porque não temos soluções mágicas para os problemas. Temos ideias e é sobre elas que precisamos de reflectir para encontrar soluções em conjunto com todas as pessoas", disse Salgado, à margem da conferência "A Nova Carta Estratégica de Lisboa - Um Compromisso para o Futuro da Cidade".
A conferência, nos Paços do Concelho, marcou o início da reflexão para a Carta Estratégica de Lisboa 2010-2024, um debate que deverá ficar concluído no final de Junho, segundo o vereador.
Durante a sua intervenção na conferência, Salgado lembrou que Lisboa perdeu em 30 anos 300 mil habitantes e afirmou que foi essencialmente a classe média que saiu em grande parte porque não tem capacidade financeira para suportar o custo das casas.
"As políticas de repovoamento postas em prática nestes 30 anos revelaram-se manifestamente ineficazes", afirmou ainda Manuel Salgado.
"O notável esforço de erradicação de barracas permitiu realojar cerca de 100.00 pessoas em bairros municipais em muitos dos quais se manifestaram situações de degradação e a exigir intervenção urgente. Os bairros históricos onde habitam cerca de 90.00o pessoas, apesar do investimento, ainda exigem reabilitação profunda", acrescentou.
Salgado apontou ainda as virtudes e falhas do planeamento no passado e disse que, acima de tudo, "aquilo que hoje mais de sente falta é a concretização das `cascatas` de planos que o PDM pressupunha e que teria permitido desenhar a cidade como um todo e responder com coerência às múltiplas e fragmentadas iniciativas dos promotores".
"A tudo isto, a não revisão do PDM, exigível ao fim de 5 anos, teria evitado inúmeros bloqueamentos com que nos confrontamos, alguns mesmo caricatos, como os equipamentos escolares que não podem ser ampliados por ultrapassarem o índice fixado", acrescentou.
O responsável pelo urbanismo em Lisboa chamou a atenção para a necessidade de "novas formas de envolvimento das pessoas, não só na identificação dos problemas, mas também na "descoberta de oportunidades, na avaliação de soluções alternativas e na definição de prioridades".
"A reacção à crise exige medidas de emergência, mas o abrandamento da actividade imobiliária reduz a pressão do dia a dia, dá mais tempo para preparar o futuro para planear", sublinhou.
A Carta Estratégica de Lisboa vai elencar os objectivos para o futuro da cidade e vai reflectir-se no PDM, em revisão, e nos restantes instrumentos de programação das actividades do município.
"A caminhada não começa hoje nem terminará com a Carta Estratégica 2010/2024 e o novo PDM, e depois de nós outros virão para corrigir e reorientar o que hoje pensamos ser certo. Porém, hoje temos a vantagem de poder avaliar o que foi feito no início dos anos 90 e ajustar as orientações e as políticas para uma realidade que é substancialmente diferente", acrescentou Salgado.
Na sua intervenção, o ex-vereador da autarquia Rui Godinho, que pertenceu aos executivos camarários de Jorge Sampaio e João Soares, falou do trabalho feito nos anos em que esteve na autarquia e sublinhou o pioneirismo do trabalho de planeamento estratégico na autarquia.
"Quando se elaborou a Carta de Ruído, que fez de facto muito ruído na altura, se indicava que seria muito difícil pela análise que tínhamos o aeroporto manter-se na Portela", exemplificou.
SO.