Santa Casa duplica financiamento para ajudar população idosa

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa anunciou hoje que vai duplicar para 30 milhões de euros o financiamento do apoio aos idosos, criar duas residências assistidas e lançar uma das maiores unidades de cuidados continuados do país.

Agência LUSA /

O novo modelo de apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que será suportado pelas receitas do novo jogo Euromilhões, contará com uma unidade de cuidados paliativos e duas residências assistidas, além daquela que será "uma das maiores unidades de cuidados continuados em Portugal", a funcionar no Hospital de Santana.

O investimento da SCML no apoio às pessoas idosas deverá estar concluído até 2006 e contará com um reforço orçamental, traduzido num aumento de 15 para 30 milhões de euros.

O reforço orçamental permitirá duplicar o investimento no Serviço de Apoio Domiciliário de seis para 12 milhões de euros, melhorando a qualidade da resposta ao crescente envelhecimento da população.

"Em 2005, vamos alargar, expandir e melhorar o serviço de apoio domiciliário e torná-lo presente 24 horas por dia e todos os dias da semana, o que não acontece neste momento", afirmou a provedora da Santa Casa, Maria José Nogueira Pinto, no final de uma conferência de imprensa destinada à apresentação de dados sobre este serviço.

A necessidade da SCML melhorar o apoio aos idosos surgiu após a realização de diversos estudos de mercado, qualitativos e quantitativos, realizados entre Fevereiro e Julho deste ano, pela Universidade Católica.

De acordo com os dados recolhidos, o Distrito de Lisboa é o mais envelhecido, com 23,6 por cento da população residente em 2001 com mais de 64 anos.

Entre 1991 e 2001, o número de idoso aumentou sete por cento, segundo o estudo, que indica que um quarto dos idosos vive só.

"A SCML concluiu que numa sociedade marcada pelo crescente envelhecimento da população, o apoio domiciliário vai aumentar com utilizadores cada vez mais idosos e mais exigentes, com mais dependências, a que se associam elevados custos de institucionalização e de cuidados autónomos", disse durante a conferência Paula Nanito, responsável pela acção social e saúde da SCML.

"Vamos ter cada vez mais idosos, mais dependentes e mais sozinhos", reforçou Maria José Nogueira Pinto, adiantando que Lisboa se vai transformar "num centro de pessoas com muita idade que sempre trabalharam e que chegam ao fim da vida sem nenhuma dignidade e sem nenhum apoio".

Para criar a linha de envelhecimento, a Santa Casa teve de arranjar um financiamento específico, cujas receitas provêem do novo jogo Euromilhões.

"Nós fomos ao Euromilhões fundamentalmente para criar uma receita específica para o envelhecimento. Uma linha ambiciosa e cara que precisa de um financiamento próprio", frisou a provedora.

O Euromilhões tornou possível que o serviço tenha meios financeiros para um programa a médio e a longo prazo, que se estende até 2008 "e que vai criar uma linha de envelhecimento com a sucessão de respostas que as pessoas precisam quando chegam à terceira e à quarta idade".

Maria José Nogueira Pinto lembrou que este serviço é mais barato do que manter as pessoas num lar e sobretudo mais humano.

Realçou ainda a necessidade de criar um lar de grandes dependências para poder libertar os lares que se destinam a pessoas que ainda têm mobilidade e alguma autonomia, que muitas vezes estão cheios com pessoas acamadas.

Com o novo modelo, a SCML pretende expandir a rede de apoio domiciliário até atingir os quatro por cento de cobertura dos maiores de 65 anos. Actualmente esse apoio situa-se nos três por cento.

Apesar do esforço, a Santa Casa nunca vai poder dar uma resposta suficiente à procura que existe, também devido ao facto das receitas do Euromilhões serem repartidas: 50 por cento para a SCML e o restante para a Segurança Social, ressalvou a provedora.

"Uma vez criada toda esta linha pode ser replicada no resto do país com receitas que podem ser do Orçamento de Estado, uma vez que o envelhecimento é um problema nacional", acrescentou.

Manuel de Lemos, responsável da SCML pelo património, disse ainda que as obras para a unidade de cuidados continuados já começaram no Hospital de Santana e que 50 camas estarão prontas no próximo ano.

Ainda nesse ano, serão construídas em Lisboa as residências assistidas.

HN.


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