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São Francisco e Santa Jacinta: como se chega a Santo?
A casa das Candeias, em Fátima, é refúgio das únicas relíquias de primeira classe dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Trata-se de um fragmento de costela do jovem vidente e de uma mecha de cabelo da irmã Jacinta. Cada uma das relíquias está dentro de uma candeia estilizada em acrílico.
No dia da canonização, 13 de maio, serão levadas em mão até ao altar. Uma será transportada pela Irmã Ângela Coelho, postuladora da causa dos pastorinhos, e a outra por Pedro Valinho, vice-postulador.
A freira explicou à RTP qual o significado dos objetos.
Ângela Coelho conhece como poucos a história dos videntes. Como postuladora teve a missão de promover a canonização das crianças, pedindo orações e reunindo testemunhos favoráveis à causa. Estudou a vida das crianças mais novas do trio: Francisco com nove anos e Jacinta com sete.
O que se sabe sobre os dois irmãos antes dos acontecimentos de 1917 na Cova da Iria em que afirmaram ver a mãe de Jesus foi relatado pela mais velha do grupo, a prima Lúcia, a única vidente que morreu adulta.
Aquilo a que os pastorinhos chamaram aparições da mãe de Jesus terá acontecido por seis vezes em seis meses consecutivos. Foram encontros que, de acordo com a irmã Ângela Coelho, transformaram os dois irmãos de sete e nove anos.
Francisco morreu em 1919, em Aljustrel (Fátima), tinha 11 anos. Jacinta morreu no hospital D. Estefânea, em Lisboa. Tinha nove anos. Foram vítimas da pneumónica, a epidemia que naqueles anos matou dezenas de milhares de portugueses.
A Igreja Católica reconheceu as virtudes heroicas dos dois em 1989 ou seja, reconheceu que estas crianças são modelos para os cristãos.
Ficou o caminho aberto primeiro para a beatificação e só depois para a canonização. Para cada um destes passos é necessário o reconhecimento de um milagre, ou seja, uma cura rápida, duradoura, completa e cientificamente inexplicável.
A sexagenária Emília Santos, que estava imobilizada há mais de 20 anos e recuperou a locomoção foi o primeiro milagre. A beatificação aconteceu no ano 2000, em Fátima, com a presença do então papa, João Paulo II.
A partir desse dia passaram a ser veneráveis apenas nas igrejas portuguesas. Foi-lhes atribuído o dia 20 de fevereiro no calendário católico.
Era preciso mais uma cura inexplicável para a canonização. Foi no Brasil que a postulação encontrou o milagre que faltava. Antes deste, houve outros avaliados, mas nenhum reunia as condições necessárias. Ângela Coelho descreveu à RTP o milagre e explicou as dificuldades do processo.
A identidade da criança que permitiu a canonização só será conhecida dia 11 de maio, dois dias antes da cerimónia. A família vai estar em Fátima onde se vai encontrar com o papa Francisco.
A partir deste sábado, os pastorinhos poderão ser chamados de São Francisco e Santa Jacinta. Vão ser os santos não mártires mais jovens da Igreja católica e, de acordo com os cânones, já podem ser venerados em todo o mundo católico.