"Se há polícias na segurança privada é por causa dos baixos salários", sustenta Associação Sindical Independente
A Associação Sindical Independente de Agentes da Polícia de Segurança Pública (ASG/PSP) admitiu o eventual envolvimento de alguns polícias em esquemas de segurança privada, "tentação" que atribuiu aos "baixos" salários praticados na corporação.
"Admito que, por terem ordenados baixos, alguns polícias possam dedicar-se à segurança privada. Mas serão certamente casos pontuais", disse à Lusa o secretário-geral da ASG/PSP, Ernesto Peixoto Rodrigues.
Ainda assim, a ASC assegura que "seria a primeira" a denunciar "casos concretos" de polícias nessa actividade, se os conhecesse, e considera que o envolvimento de agentes da PSP em segurança privada é uma atitude "condenável".
"Tão condenável como são as remunerações desses mesmos agentes, que os forçam a procurar outros rendimentos", frisou Ernesto Peixoto Rodrigues, explicando que um polícia recém-saído da formação aufere entre 750 e 800 euros.
"Se os salários fossem decentes, não havia esta tentação, pelo que o Governo também tem culpas nesta situação", afirmou o dirigente.
Sustentou ainda que, "por causa dos baixos salários, há polícias que têm de completar o seu rendimento trabalhando na agricultura ou na construção".
Paulo Rodrigues, presidente de outra estrutura sindical dos polícias - a Associação Sindical dos Profissionais da PSP (ASPP/PSP) - revelou quinta-feira à agência Lusa que iria pedir à Direcção Nacional da PSP uma investigação sobre o eventual envolvimento de polícias em esquemas ilegais de segurança privada.
A ASPP/PSP disse não ter provas que confirmem as denúncias recebidas, mas entende que a Direcção Nacional "tem que investigar" porque, "para o bem dos polícias, a instituição não pode ser conotada com grupos ilegais de segurança e, eventualmente, com o crime organizado e violento".
Em resposta a pedidos de esclarecimentos alusivos, feitos pela Lusa, a Direcção Nacional da PSP assegurou hoje que averigua "sempre" denúncias sobre comportamentos violadores da disciplina e da lei.
"A Direcção Nacional sempre que tem conhecimento de factos de natureza disciplinar e/ou criminal que envolvam elementos policiais promove os competentes procedimentos processuais", afirma o Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Direcção Nacional da PSP.
As denúncias que a ASPP/PSP diz ter recebido sobre polícias alegadamente envolvidos em segurança privada acentuaram-se após a morte do dono da discoteca "Chic, Aurélio Palha, conforme contou Paulo Rodrigues.
Este empresário encontrava-se com um amigo e segurança junto à porta da "Chic", segunda-feira de madrugada depois das 03:00, quando a discoteca já se encontrava encerrada.
O empresário foi atingido no corpo e na cabeça com alguns disparos feitos do interior de uma viatura Mercedes de vidros escuros, que depois se pôs em fuga.
A vítima mortal, a quarta nos últimos dois meses em incidentes na noite do Porto, ainda foi assistida no local, mas acabou por morrer.
A última informação dada à agência Lusa por responsáveis da Directoria do Porto da PJ indica que está ainda por determinar se os tiros eram dirigidos ao empresário, ao segurança que o acompanhava, e escapou ileso, ou até a ambos.
A eventual correlação entre o assassinato de Aurélio Palha e outros crimes na noite do Porto está também a ser equacionada.