Sec.Estado defende necessidade de novos públicos para os politécnicos

O Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, defendeu hoje a necessidade dos estabelecimentos de ensino superior encontrarem novos públicos, como forma de responderem à diminuição de alunos provenientes do ensino secundário.

Agência LUSA /

"É conhecido que, por efeitos demográficos, o número de alunos no ensino superior diminuiu", disse Manuel Heitor, que falava aos jornalistas durante uma visita a uma academia profissionalizante da Escola Superior de Tecnologia (EST), no âmbito da 3ª Semana da Ciência e Tecnologia promovida por aquele estabelecimento de ensino.

"Por isso, estamos a trabalhar no sentido de responder a uma necessidade de abrir o ensino superior e, em particular, o ensino superior politécnico, a novos públicos", acrescentou o secretário de Estado, que justificou a ausência do ministro Mariano Gago na iniciativa com um problema de saúde.

A Academia profissionalizante da EST, que conta com o apoio da empresa Cisco Systems, é um exemplo do que poderá ser a estratégia do Governo para a formação de novos profissionais na área das novas tecnologias.

"O ministro da Ciência e Tecnologia já avisou que a partir do próximo ano os cursos tecnológicos vão ser financiados de uma forma mais sistemática e coerente, nomeadamente em instituições politécnicas, mas, para além disso, está a ser estudado um programa de apoio a academias profissionalizantes no ensino superior politécnico, em colaboração com as escolas secundárias", disse.

O secretário de Estado comentava uma intervenção da presidente do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), Cristina Figueira, que advertiu para a possibilidade de uma redução do corpo docente daquele estabelecimento de ensino a médio prazo, devido a uma redução progressiva do número de alunos nos últimos anos.

Em declarações aos jornalistas, Cristina Figueira disse que "se as escolas tiverem a dinâmica adequada, podem vir a crescer noutros públicos, noutras actividades formativas e virem a acomodar esses docentes. Não poderão é ficar sentadas à espera que os alunos do secundário venham encher as escolas, que já não vêm mais".

De acordo com a responsável do IPS, este ano lectivo foram preenchidas apenas 60 por cento das 1.200 vagas abertas para o Instituto Politécnico de Setúbal.

Esta situação, na opinião de Cristina Figueira, poderá ser alterada nos próximos anos com a "captação de novos públicos, a qualificação de públicos activos, de públicos adultos de segunda oportunidade e com o desenvolvimento de actividades de tipo tecnológico e cientifico com as escolas secundárias".

A 3ª edição da Semana da Ciência e da Tecnologia da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal, ao abrigo do programa "Ciência Viva", pretende motivar cerca de 800 jovens do Ensino Secundário e Profissional da Região para as áreas da engenharia através de um contacto directo com as áreas da Ciência e Tecnologia.

De acordo com um estudo efectuado em 31 países europeus, incluindo Portugal, dentro de três anos haverá um milhão de profissionais na Europa com competências técnicas avançadas em tecnologias de networking necessárias à economia Europeia, pelo que será necessário promover a formação de novos profissionais na área de Redes de Computadores, como acontece na Academia Cisco, da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal.


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