SEF detém dez suspeitos de tráfico de mulheres brasileiras

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Braga deteve hoje dez indivíduos suspeitos de ligação a uma rede de alegado tráfico de pessoas a partir do Brasil, disse à Lusa fonte policial.

Agência LUSA /

Segundo a fonte, as detenções ocorreram no âmbito de outros tantos mandados de busca emitidos pelo Tribunal de Amares e incidiram numa casa de diversão nocturna, num restaurante, numa pensão e em seis casas particulares em Braga, Amares, Oeiras e Loures.

Os detidos, oito homens e duas mulheres, vão ser entregues, segunda-feira, ao Tribunal de Amares e são suspeitos de recrutarem na cidade de Vitória, no Estado de Espírito Santo (Brasil), mulheres para trabalhar em Portugal, algumas das quais vão parar à prostituição, apesar de contratadas para outras funções.

Alguns dos detidos são suspeitos de integrarem a rede e de acompanharem desde a origem as mulheres recrutadas no Brasil, com passagem pelo aeroporto de Schipol, em Amesterdão, Holanda, e posterior voo para Lisboa, onde pernoitavam numa pensão dos arredores.

Os detidos são suspeitos da prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal, associação criminosa, lenocínio, angariação de mão- de-obra ilegal e auxílio à permanência ilegal no país.

Durante as buscas, o SEF apreendeu 135 mil dólares em dinheiro, seis viaturas e documentos ligados ao recrutamento de mulheres no Brasil, tendo, ainda, selado a casa de alterne "Mira-Rio", na Ponte do Bico, concelho de Amares, e uma moradia situada na Rua Monte D+Arcos, em Braga, onde alegadamente as mulheres brasileiras se prostituíam por conta dos arguidos.

Aidades identificaram 20 cidadãos brasileiros, 19 mulheres e um homem, por permanência ilegal no país, quatro dos quais notificados para abandonarem o país e um notificado de uma decisão de expulsão anteriormente decretada pelas autoridades.

O SEF concluiu que a rede operava com apoios naquele estado brasileiro, nomeadamente através de uma agência de viagens de Vitória, cobrando 2.500 euros às brasileiras a título de despesas de transporte e emissão de passaporte e visto.

Chegadas a Portugal, as mulheres eram hospedadas numa pensão de Lisboa, que servia como placa giratória no negócio, e colocadas a trabalhar como prostitutas não só no bar e nas casas da zona de Braga, mas também distribuídas para outros "negociantes" do ramo em todo o país.

Eram obrigadas a trabalhar gratuitamente até pagar os 2500 euros, sendo ameaçadas e intimidadas pelos arguidos, caso não o fizessem...

Segundo o SEF, os arguidos recrutavam mulheres do Brasil desde 2002, tendo trazido mais de 100 brasileiras, por ano, para Portugal.

O SEF - sublinhou a fonte - tem vindo a orientar a sua actividade de investigação criminal para as alegadas redes de tráfico de mulheres, já que considera que elas "são as vítimas num negócio muito rendoso onde a parte de leão fica na mão de 'empresários da noite' e proxenetas".

Na operação participaram 50 inspectores do SEF, das delegações de Braga, Porto e Lisboa.


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