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Segurança Social aloja única sem-abrigo que vivia nas ruas de Viana do Castelo

A única sem-abrigo de Viana do Castelo vai hoje ser alojada provisoriamente numa pensão, anunciou o director do Instituto de Solidariedade e Segurança Social.

Agência LUSA /

Segundo António Correia, a Segurança Social vai, entretanto, tentar arranjar uma solução definitiva para o problema da mulher que passou os últimos dias e noites nas ruas da cidade.

A solução deverá passar ou pela sua colocação numa instituição de solidariedade social ou pela sua integração numa família de acolhimento.

Paralelamente, o organismo vai ainda requerer a atribuição de uma pensão social à mulher, "que não dispõe de qualquer forma de subsistência", para que "não tenha que se dedicar à mendicidade".

"Esta era uma situação que desconhecíamos, porque ainda ninguém tinha ligado para o número da emergência social a denunciá-la", garantiu à agência Lusa António Correia, sublinhando que neste momento "não se conhece mais ninguém a viver na rua em Viana do Castelo".

Laurinda Dantas Arantes, 50 anos, é natural de Serdedelo, Ponte de Lima, e há mais de uma semana que vive ruas de Viana do Castelo, onde têm registado temperaturas mínimas de quatro e cinco graus negativos.

Um cartão estendido no chão era o seu colchão e tapava-se com um velho cobertor.

"Claro que tenho muito frio, mas o que é que hei-de fazer? O que eu quero é que não me façam mal", disse à Lusa.

Laurinda Arantes queixou-se das pessoas que a "escorraçavam" porque não a queriam ver junto às suas casas ou aos seus estabelecimentos.

Comia o que um ou outro transeunte lhe oferecia ou o que conseguia comprar com as esmolas que ia angariando durante o dia.

Diz que "serviu em casas de gente muito rica", como que para lembrar que "já soube muito bem o que é o conforto".

"Foi a vida que me atirou para a rua. Só eu e Deus é que sabemos como são as noites ao relento. É o frio, é o medo, é como se a gente fosse um farrapo", desabafou.


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