Segurança Social encerra lar de idosos sobrelotado

O Centro de Saúde e Repouso de Arrouquelas, concelho de Rio Maior, foi encerrado após ter sido apurada a "situação de sobrelotação e falta de condições dignas" para os utentes. A instituição tinha licença para 40 pessoas, mas residiam 120, confirmou o presidente do Instituto da Segurança Social. Os idosos estão ser reencaminhados para outras instituições.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
Os donos do Centro Saúde e Repouso não estiveram nas instalações do lar RTP

Além da sobrelotação, as autoridades identificaram situações de falta de higiene e falta de comida suficiente para todos os utentes.

Três utentes encontram-se hospitalizados e outros três vão para casa de familiares. Os restantes serão reencaminhados para unidades nos distritos de Leiria, Santarém e Lisboa.

A situação de sobrelotação e falta de condições já era conhecida da Segurança Social, mas o processo só hoje ocorreu "depois de ter sido acautelado que havia número de lugares suficientes" para acomodar os idosos noutras instituições, afirmou Edmundo Martinho.

A operação, que teve início às 5h e deverá terminar ainda esta sexta-feira, consistiu na avaliação clínica de todos os idosos e na reunião dos seus pertences.

Segundo o presidente do Instituto da Segurança Social, era desconhecido o número exacto de utentes porque, durante as visitas, os técnicos "tinham sido impedidos de visitar todas as salas".

Edmundo Martinho classificou de "péssimas" as condições do lar privado e apontou a "irresponsabilidade" e "falta de sentido cívico e de responsabilidade empresarial" a quem gere a instituição. O presidente do Instituto da Segurança Social considera ainda que a cooperação dos funcionários "não foi a melhor".

Os donos do lar, que ainda não compareceram nas instalações, serão alvo de "coimas e acções punitivas adequadas". Estas acções podem passar pela proibição de reabrir o lar.

Um familiar afirmou à reportagem da RTP que nunca se apercebeu da instituição prestar um serviço deficitário.

Um funcionário desmentiu que a alimentação fosse insuficiente mas confirmou que na enfermaria, composta por cinco camas, eram deitados sete idosos.

A acção de fiscalização está a ser comandada pela GNR, que cumpre uma mandado judicial, em que participam técnicos da Segurança Social, bombeiros, médicos e ASAE.

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