Segurança Social. "Há problema de sustentabilidade financeira matemático", avisa coordenador do estudo pedido pelo Governo

Segurança Social. "Há problema de sustentabilidade financeira matemático", avisa coordenador do estudo pedido pelo Governo

"As fontes de financiamento do sistema contributivo não são suficientes para assegurar as responsabilidades".

Andreia Brito com Frederico Moreno /

Fotografia: Jorge Carmona

O aviso é feito pelo coordenador do Grupo de Trabalho sobre a Reforma da Segurança Social no programa da Antena 1, Consulta Pública.

Jorge Bravo assegura que o relatório encomendado pelo Governo pôs em evidência que "nem a conta corrente nem o balanço atuarial do sistema são financeiramente sustentáveis e que o Estado vai ter que durante muitos anos continuar a transferir verbas do Orçamento do Estado para pagar essas responsabilidades".

E, por isso, Jorge Bravo admite que "há aqui um problema de sustentabilidade financeiro matemático".

Francisco Louçã, economista e antigo coordenador do Bloco de Esquerda rebate ironizando: "é sempre confortável, no meio de um debate tão difícil como este, invocar argumentos de autoridade. e o mais simples de todos, quase poético é «a matemática fala por mim»".
"É sustentável a Segurança Social? Eu afirmo que sim"
No programa Consulta Pública, Louçã, por diversas vezes, criticou o relatório de Jorge Bravo e contrariou o coordenador do estudo: "é sustentável a Segurança Social? Eu afirmo que sim."

Chega a defender que "o catastrofismo é o pior professor no meio de um debate sobre medidas que têm de ser tomadas ponderadamente ao longo do tempo porque é uma estratégia de medo e de assustar".

Francisco Louçã afirma mesmo que "esse debate catastrofista surgiu muito a reboque do relatório do professor Jorge Bravo".

Em resposta, Bravo assegura que "há um problema de sustentabilidade, mas sem qualquer tipo de catastrofismo".

E vai mais longe para garantir que "somos os próprios a defender que haja total salvaguarda quer das pensões a pagamento quer dos direitos já constituídos para o futuro".

E acrescenta: "não há qualquer tipo de perda de direitos, isso é muito claro no relatório".

Opinião contrária tem Amílcar Moreira. O professor, que integrou a Comissão nomeada no Governo de António Costa, para elaborar o Livro Verde para a Sustentabilidade do Sistema Previdencial, destaca que "se pensamos que o sistema tem um défice e que o défice é um problema... e se a solução não é aumentar as receitas, então temos um problema que só é atacado com cortes de direitos".

Para o docente a grande preocupação é aquilo a que chama de erosão da base contributiva. "Há uma proliferação de formas de remuneração e há decisões tomadas por partidos políticos que, supostamente, se posicionam como defendendo a Segurança Social, à esquerda e à direita, que estão a fragilizar a base contributiva da Segurança Social", diz.
"Viver mais não pode ser viver pior"
A preocupação do presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) é outra. Afirma Armindo Monteiro que "aquilo que nos deve preocupar em 2026 são aqueles que estão a entrar hoje no sistema. O que vai acontecer em 2066? Não podemos ver este ponto de forma estanque para este ano. Temos de antecipar para os anos futuros".

O líder da CIP avisa que "o que devíamos dizer a quem está a entrar hoje no mercado de trabalho é: «esteja descansado porque daqui a 40 anos vai ter uma pensão igual àquela que hoje está a ajudar a pagar» e isso, em consciência e honestidade intelectual, não é possível dizer".

Ideia reforçada por Pedro Sousa Carvalho. O comentador de Assuntos Económicos da Antena 1 faz as contas: "hoje temos um jovem por 1.65 idosos. Daqui a 40 anos vamos ter um jovem por cada três idosos. Vamos ter um salário a pagar três pensões".

Defende por isso "voltar a pensar em novas formas de financiamento para que o ajustamento não seja feito através de cortes, mas sim de novas receitas".

O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
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