Seis mil cães tentam bater recorde do maior passeio canino do mundo
Seis mil cães estavam inscritos, até às 15:30, no desafio de estabelecer o novo recorde mundial do maior passeio canino, em Lisboa, mais ainda tinham de percorrer os cinco quilómetros do percurso para entrarem no Guiness.
Alcino Freitas veio de Alverca com o Ikas, um arraçado de pincher de quatro anos e meio, e acredita que o seu primeiro cão vai entrar no recorde, "mesmo que o tenha de levar ao colo".
A mesma convicção é partilhada pela mulher, Helena, ajudante de centro de dia, que traz pela trela o Teddy, filho do Ikas: "Tenho a certeza que chegamos ao fim".
Um cão com um dono e vice-versa é uma das regras da organização da iniciativa, promovida por uma marca de produtos para animais e apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa, que arrancou às 14:30 junto à Faculdade de Medicina Veterinária, no Parque Florestal de Monsanto.
O objectivo é levar mais de 5.017 animais - o número registado no livro Guiness de recordes mundiais - até ao anfiteatro Keil do Amaral.
A meia hora do fecho das inscrições, adiantou à Lusa fonte da organização, estavam inscritos seis mil cães, que receberam água para dessedentar o caminho e um saco para que os donos aí guardem os `presentes` que forem surgindo.
A energia transbordante do Sebas, um labrador que ainda não tem um ano e obriga Joana a retesar constantemente os braços e a procurar manter o equilíbrio, foi suficiente para o retirar da iniciativa.
A jovem de 18 anos acabou de desistir de manter quieto o amigo canino e preparava-se para se ir embora depois de assinar a petição à Assembleia da República para que seja criado o Dia Nacional do Cão, uma data para "criar uma consciência nacional que defenda os direitos" dos caninos.
Mas os cães também têm deveres, e quando tantos se juntam há que garantir que os mais zaragateiros não criam problemas.
Para as raças perigosas é obrigatório o açaime, mas em poucos minutos é possível observar que nenhum dono dos sete animais que por ali passaram o colocou.
"Não me lembrei disso" ou "mas é mesmo preciso, ele é muito calmo" são algumas das frases que mais se ouviram no registo das raças perigosas, mas sem açaime, só há duas hipóteses - voltar para trás ou improvisar.
Miguel Godinho, treinador de cães do Centro Canino do Seixal, está a apoiar a organização nestas matérias e, brandamente, vai ensinando aos donos mais reticentes como criar um açaime, com fitas e lenços, que mantenha fechada a boca do fiel amigo sem o molestar.
Há quem não tenha gostado e refilado, mas para entrar há que aceitar a regras e lá seguiram os donos resignados perante os movimentos incomodados do animal, a demonstrar pouco hábito a este acessório, apesar de obrigatório na via pública, por lei.
Apesar destes percalços, o treinador não tinha dúvidas de que é "benéfica" para os cães a confusão inerente à reunião de tantos e dos seus donos.
"Este tipo de experiência permite aos cães uma socialização importante, que melhora também a sua capacidade de concentração", explicou à Lusa entre dois açaimes improvisados.
E talvez os fiéis amigos estivessem mesmo concentrados em bater o recorde, porque nesta tarde de cão eram mais as vozes que os latidos a encher o ambiente.