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Os danos e a evolução do estado do tempo

Sem luz há mais 15 dias. Idoso depende de fio improvisado para ligar máquina de oxigénio

Sem luz há mais 15 dias. Idoso depende de fio improvisado para ligar máquina de oxigénio

No Sobral, a poucos minutos de Leiria, numa aldeia onde a vida costuma correr tranquila, a tempestade já passou, mas Guilhermino, de 80 anos, vive sem luz há mais de 15 dias e todas as noites, um fio improvisado de eletricidade garante-lhe o essencial: respirar.

Mariana Soares Ferreira - RTP /
Foto: João Marques - RTP

A luz ainda não foi reposta em muitas aldeias de Leiria desde a passagem da depressão Kristin. Há mais de 15 dias que Guilhermino não tem luz em casa apesar de toda a rua já ter energia.



Depois de uma infeção pulmonar, passou a sofrer de apneia do sono e precisa de dormir com uma máscara de oxigénio ligada a uma máquina elétrica.
“Todos os dias durmo com isto, sou obrigado a dormir com isto”, diz, apontando para a máscara de oxigénio que todas as noites o ajuda a respirar.
Durante duas semanas, Guilhermino não conseguiu usar o equipamento. A alternativa foram botijas de oxigénio fornecidas pelo hospital, duas de 20 litros e uma de 30 que funcionam manualmente e que duram cinco dias.

Os vizinhos já recuperaram o fornecimento elétrico, mas na casa de Guilhermino, o contador “não mexe”, não regista consumo. Segundo os técnicos, a avaria não estará na habitação, mas num poste da rua. 
“Já disse que tenho o meu marido doente, mas eles nada”, lamenta a esposa.
Um fio pela janela
A solução chegou apenas esta quarta-feira quando o filho conseguiu eletricidade. Da casa ao lado, puxou um fio elétrico pela janela que atravessa o quintal, e alimenta a máquina de oxigénio através de uma janela da casa de banho.

O cabo entra pela janela, passa por baixo de um tapete, “que é para o meu marido não cair” e segue até ao quarto.
Oxigénio manual
Em casa, o casal tem um aparelho que mede os níveis de oxigénio no sangue. Só em caso de valores abaixo do recomendado é que Guilhermino terá de ser encaminhado para a urgência. 

O hospital tem mantido contacto regular com a família e chegou a questionar se seria necessário internamento.

Até agora, Guilhermino tem permanecido em casa, recorrendo ao oxigénio manual.

Desde a noite da tempestade, a esposa de Guilhermino contatou os serviços de avarias e a Junta de Freguesia de Santa Catarina da Serra, mas ainda não há previsão para a reposição da energia.

“Eles dizem ‘Está bem, já sabemos’. Já telefonei à Junta de Freguesia, dizem para telefonarmos para as avarias. Já telefonei duas vezes e eles não vieram.” contou a esposa.

Numa rua onde as luzes já voltaram a acender, há ainda uma casa às escuras. 
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