Semana Santa começa em Braga com Via Sacra

A Semana Santa bracarense, que começa hoje com uma Via Sacra, tem como ponto alto cinco procissões - dos Passos, da Burrinha, do Ecce Homo, Teofórica, no interior da Sé, e do Enterro do Senhor.

Agência LUSA /

De acordo com a Comissão Organizadora, a noite antes de Domingo de Ramos "é como uma primeira Vigília, de carácter penitencial, a preparar a Semana Santa, tal como no sábado seguinte a Vigília Pascal será a celebração festiva do triunfo de Jesus sobre a morte".

Faz-se, então, a trasladação da imagem do Senhor dos Passos, da igreja de Santa Cruz para a igreja do Seminário.

No percurso, ouve-se o canto do "Miserere".

Recolhida a procissão, segue-se a Via Sacra, que, entoando os "Martírios", percorre, pela sua ordem, as estações ou Calvários.

A comissão organizadora, que inclui a colaboração do Cabido da Catedral, Irmandades da Misericórdia e de Santa Cruz, Câmara Municipal de Braga, Região de Turismo de Verde Minho e da Associação Comercial de Braga, regista, ainda a participação das paróquias de S.Victor e Celeirós.

O Domingo de Ramos, dia da Procissão dos Passos, é o pórtico de entrada na Semana Santa.

Neste dia a Igreja comemora a entrada de Jesus em Jerusalém, para consumar o seu mistério pascal.

Na quarta-feira Santa, à noite, sai a "Procissão de Nossa Senhora da Burrinha", organizada pela paróquia e pela freguesia de S.Vítor, que apresenta a pré-história do Mistério Pascal de Jesus.

"Desde o chamamento de Abraão, passando pela era dos Patriarcas, pela escravidão no Egipto e gesta libertadora de Moisés (prefiguração de Cristo), até à infância de Jesus e à sua fuga para aquele país com José e Maria montada numa burrinha, desfilam, em sucessão cronológica e em verdadeira catequese viva, figuras eminentes, símbolos e quadros bíblicos do Antigo Testamento", refere a organização.

A Quinta-feira Santa, dia da instituição do sacerdócio, começa com uma Missa Crismal e a Bênção dos Santos óleos.

O arcebispo primaz, D.Jorge Ortiga faz-se acompanhar do clero da Arquidiocese.

à tarde dá-se o Lava-pés e a Missa da Ceia do Senhor, presidida pelo Arcebispo que lava os pés a 12 pessoas que representam os apóstolos, tal como o fez Jesus.

Durante a tarde, enquanto os fiéis são convidados a visitarem as sete igrejas, que representam as Sete Estações de Roma (Sé Primaz, Misericórdia, Santa Cruz, Terceiros, Salvador, Penha e Conceição / Mons.Airosa), os farricocos, lembrando um antigo costume, percorrem a cidade, com as suas matracas, chamando os irmãos da Misericórdia para a procissão da noite.

à noite, sai a Procissão do Senhor Ecce Homo evocativa do julgamento de Jesus.

Abre o cortejo um vistoso grupo de farricocos com grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados, de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos, empunhando matracas e fogaréus (lembrando os guardas que foram, de noite, prender Jesus).

A imagem do Senhor Ecce Homo representa o Cristo tal como Pôncio Pilatos o apresentou à multidão, dizendo: - "Eis o Homem!".

Na sexta-feira é a vez da procissão Teofórica do Enterro do Senhor, um privilégio do Rito Bracarense único no mundo, que se estabeleceu em Portugal nos fins do século XV e princípios do XVI.

A Bíblia é levada em procissão no interior da Sé, encerrada numa urna, o que representa "o silêncio de Deus".

à noite, Braga participa na Procissão do Enterro, que contrasta com a da noite de quinta-feira: não há fogaréus, os participantes vão de rosto coberto e os estandartes das confrarias e irmandades não vão desfraldados, mas caídos sobre os ombros de quem os transporta.


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