Seminário sensibiliza bombeiros para hábitos e cultura muçulmanos

O responsável pelo Colégio Islâmico de Lisboa, Rachid Ismael, defendeu hoje num seminário promovido pelo Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa que o respeito pelas diferenças culturais é fundamental para um melhor desempenho das missões no terreno.

Agência LUSA /

"Um comportamento respeitador da cultura muçulmana é essencial para a conquista da confiança das populações locais", afirmou o responsável.

As dificuldades que as equipas do Regimento dos Sapadores sentiram em missões no Irão, Marrocos, Argélia ou Turquia foram o mote para a realização do seminário, onde Rachid Ismael procurou sensibilizar os cerca de 50 bombeiros presentes para os hábitos e as especificidades da cultura muçulmana.

Para o responsável, as diferenças culturais devem ser tratadas "com doses de cuidado e bom senso", que podem ser determinantes para um melhor ou pior desempenho das forças no terreno.

Os constrangimentos inerentes à retirada de cadáveres dos escombros foi uma das questões levantadas pela assistência, frequentemente confrontada com cenários de sismos.

Rachid Ismael sublinhou a importância da realização de um funeral digno ao familiar falecido para os muçulmanos.

"A morte não é o fim, mas sim a transição de uma vida para outra. É a própria família do falecido que faz questão de cumprir todo o ritual fúnebre, desde o banho dado ao corpo até ao enterro propriamente dito", disse.

Por isso, sempre que uma equipa consegue retirar o corpo dos escombros a sua família "mostra uma grande gratidão".

Um pormenor que pode não agradar aos familiares é a cor dos sacos de transporte dos corpos utilizados pelos bombeiros, que em regra são pretos, cor que os muçulmanos islâmicos tentam evitar.

Rachid Ismael alertou ainda os bombeiros para os diferentes tipos de cumprimentos: "em alguns países o cumprimento é feito com as duas mãos juntas e uma leve vénia, em outros com três beijos e em outros com um suave aperto de mão".

"Entre os homens e as mulheres, o ideal é manter a distância entre os sexos e em alguns países as refeições também devem ser feitas em separado", disse Rachid Ismael, ressalvando que "a religião abre excepções em casos de urgência e necessidade".

Gestos normais em Portugal como olhar directamente nos olhos das mulheres, fazer figas, apontar com o dedo indicador e pedir boleias poderão ser considerados ofensivos em países como a Turquia e o Egipto, disse ainda.

Outra questão levantada foi a da utilização dos cães de busca, que por vezes não é bem aceite pelos locais.

Rachid Ismael esclareceu que os "muçulmanos não aceitam o cão como um animal de companhia, sendo apenas permitida a utilização de cães de caça e de guarda".

"Contudo, também se abre uma excepção aos cães de busca, por serem importantes na missão", disse.

Na intervenção inicial, o segundo comandante do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, António Pato, disse que mensalmente estão de prevenção 20 homens e quatro toneladas de material para viajarem para qualquer parte do mundo em missão de salvamento, caso seja necessário.

O Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa esteve presente em Marrocos em Fevereiro de 2004, no Irão em Dezembro de 2003 e na Argélia em Maio do mesmo ano, acrescentou.


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