"Sempre estivemos disponíveis". Operadoras abertas a adaptar regras de trotinetes

"Sempre estivemos disponíveis". Operadoras abertas a adaptar regras de trotinetes

As operadoras de trotinetes dizem que estão disponíveis para trabalhar com os municípios, como aconteceu em Lisboa há três anos na adaptação de regras. O diretor de micromobilidade da Bolt afirma que a empresa não foi contactada pelas autarquias que avançaram com a proibição destes veículos.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Utilizador de trotinete de passagem na zona do Campo Grande, em Lisboa (2024) | Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1

Numa altura em que cidades como Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho avançaram na intenção de banir as trotinetes partilhadas, as operadoras vieram defender, de novo, uma posição conjunta. A Bolt, a Bird e a Lime querem "regras municipais claras e proporcionais", apontam num comunicado enviado à RTP Antena 1, com "um desenho urbano mais seguro e infraestruturas de estacionamento adequadas com uma fiscalização eficaz por parte dos operadores e uma aposta contínua na sensibilização dos utilizadores".

"Estamos disponíveis para trabalhar com os municípios", garantem as operadoras, que recordam a cooperação que tem existido no Porto ou, em particular, o acordo de cooperação em Lisboa. Já no mandato de Carlos Moedas na capital, em 2023, foram adaptadas regras para as trotinetes, que passaram por exemplo pela redução da velocidade nestes veículos e a definição de locais de estacionamento. 

Em declarações à RTP Antena 1, o diretor de micromobilidade da Bolt, Frederico Venâncio, refere no caso de Lisboa que o negócio "deixou de funcionar da mesma forma, mas mais uma vez as operadoras adaptaram-se". Questionado sobre se estaria disponível para adaptar as regras nas cidades que têm avançado com proibição, é categórico: "Sempre estivemos".
Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1

"Não sinto que sejamos parte da insegurança" nas ruas, considera, "mas sim que devemos ser parte integrante de todas essas discussões". Frederico Venâncio afirma que a Bolt "para já não" foi contactada no sentido de adaptar regras em Gaia, Braga e Espinho. "Há cidades que nos contactam e que têm interesse em promover melhor e mais mobilidade nas suas cidades", explicou dando o exemplo do Porto, e "outras não nos contactam, por alguns motivos, por falta de interesse".
Referendo em Lisboa? Bolt quer vitória do "não", mas não dá nada "como seguro"

As autoridades têm avisado para o aumento de acidentes com bicicletas e trotinetes, mas, no segundo caso, o diretor de micromobilidade da Bolt acredita que banir não é o caminho. Antes a sensibilização dos condutores e também fiscalizar - não apenas a polícia. Frederico Venâncio aponta que a tecnologia destas operadoras tem procurado melhorar comportamentos irresponsáveis, ainda que não seja possível apanhar todas as situações: "É difícil detetar um veículo em contramão" ou os "muitos erros em detetar veículos com duas pessoas"

Sobre o referendo que o Automóvel Clube de Portugal (ACP) gostava que acontecesse em Lisboa, para perguntar aos moradores se defendem a proibição das trotinetes partilhadas, Frederico Venâncio diz que, se avançar, espera a vitória do "não" - para que não sejam banidas - mas lembra que na capital francesa, Paris, o referendo acabou com a vitória do "sim" em 2023.

O responsável da Bolt lembra que poucos foram votar - 90% disseram "sim" entre 103 mil votantes, num total de 1,38 milhões de cidadãos elegíveis para votar - considerando que "tendencialmente têm mais disposição para se deslocarem, para se fazerem ouvir".

"Portanto, eu não dou nada como seguro", afirma Frederico Venâncio, acrescentando que estão "confortáveis" e "confiantes" com o trabalho que têm feito.

Depois de conhecida a proposta da ACP no início de agosto - e que tem estado a recolher assinaturas -, as operadoras Bolt, Bird e Lime tinham lançado um comunicado conjunto, em que defendiam que "proibir as trotinetes partilhadas não resolveria, de forma alguma, os desafios da segurança rodoviária na cidade".

"A proposta apresentada pelo ACP associa um problema real a uma solução errada, deixando por resolver as verdadeiras causas da insegurança rodoviária, como a condução perigosa, as deficiências da infraestrutura e a necessidade de uma fiscalização mais eficaz", referiam. 

Também em declarações à RTP Antena 1, Mário Alves, especialista em mobilidade e presidente da associação Estrada Viva, reconhece que são necessárias mais regras para as trotinetes, mas diz que "há um elefante na sala": os automóveis "com muita frequência em excesso de velocidade nas cidades"
Declarações de Mário Alves à jornalista Natércia Simões

Apesar do caminho a fazer, Mário Alves defende que a situação com as trotinetes melhorou, graças à possibilidade de georreferenciação destes veículos partilhados. 
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