Sensores no mar podem ser forma de aviso precoce de aproximação de tsunamis na UE

Sensores no mar e bóias a emitir informações por satélite da chegada de uma onda gigante (tsunami) pode ser um dos projectos a implementar a médio prazo pela União Europeia no Atlântico Norte e Mar Mediterrâneo, no qual Portugal está incluído.

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"Se usarmos só informação sismológica ficaremos sempre com risco de ter falsos alarmes, daí a necessidade de instalar no oceano dispositivos especiais, bóias e outros tipos de sensores, que permitam detectar que existe uma onda que se aproxima de uma zona vulnerável", explicou Carlos Mendes, elemento da Protecção Civil portuguesa.

O anúncio deste sistema de alerta precoce em caso de catástrofes naturais foi feito hoje em Albufeira, à margem de um seminário sobre precisamente "Sistemas de Alerta Precoce".

A União Europeia está a apoiar o sistema de montagem de sensores no mar que depois vai alertar as populações dos perigos, estando em fase terminal um mecanismo comunitário de protecção civil que permita acudir a uma emergência a nível europeu, adiantou Patrícia Gaspar, adjunta de Operações Nacionais de Protecção Civil.

O tsunami é um problema global que afecta os países mais vulneráveis e as suas populações, onde se inclui Portugal, mas também os turistas que se encontrem nessas zonas e é necessário existir um plano e uma política uniformizada para avisar as pessoas de que existe perigo de vida.

Carlos Mendes refere que quando se fala em zonas vulneráveis não é a população só do próprio país que lá está que interessa avisar do perigo, mas todos os visitantes, como acontece no Algarve, que recebe milhares de turistas de várias nacionalidades e que é preciso que conheçam os códigos de alerta para catástrofes naturais.

É preciso ter um código de conduta comum para que qualquer cidadão independentemente da sua língua e da nacionalidade possa entender o que é que significa cada sinal e como agir perante esse sinal, explicou aquele especialista da Protecção Civil portuguesa.

Carlos Mendes mencionou que há várias metodologias postas em prática para avisar dos perigos, nomeadamente os antigos e tradicionais "toques acústicos", como por exemplo as sirenes e, neste caso, ter-se-ia que definir qual o toque europeu para o sinal de evacuação.

Há, no entanto, outras metodologias mais modernas utilizando novas tecnologias.

A difusão celular para telemóvel que permitiria de imediato que todos os telefones numa área de perigo recebessem uma mensagem com indicação de evacuação é uma das hipóteses.

Um sistema de aviso automático pelas televisões e rádio em que as emissões fossem interrompidas para difundir a informação de evacuação, como já existe no Japão, é outra das metodologias possíveis, explicou Carlos Mendes.

"Esse passo será dado de forma concertada entre os vários Estados-Membros e outros actores internacionais de forma a possibilitar a que cada país aceda à informação através das protecções civis para depois a transmitir à população.

O secretário de Estado da protecção Civil, Ascenso Simões, presidiu à sessão de abertura do seminário "Sistemas de Alerta Precoce" e anunciou que o desenvolvimento de um sistema de alerta precoce para tsunamis era um dos compromissos de Portugal na presidência da União Europeia.

"Procuraremos contribuir para o estabelecimento de um sistema de alerta precoce para tsunamis na região do Atlântico Norte e do Mediterrâneo".

Ascenso Simões defendeu "um reforço dos instrumentos de previsão e um esforço da parte da União Europeia na concretização "de dispositivos de resposta".

"Os sistemas de alerta devem merecer uma atenção reforçada (...) e a concretização de modelos que aceites por todos, possam funcionar sem roturas", declarou o membro do Governo português, Ascenso Simões.


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