Sensores no mar podem ser forma de aviso precoce de aproximação de tsunamis na UE

Sensores no mar podem ser forma de aviso precoce de aproximação de tsunamis na UE

Sensores no mar e bóias a emitir informações por satélite da chegada de uma onda gigante (tsunami) pode ser um dos projectos a implementar a médio prazo pela União Europeia no Atlântico Norte e Mar Mediterrâneo, no qual Portugal está incluído.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Se usarmos só informação sismológica ficaremos sempre com risco de ter falsos alarmes, daí a necessidade de instalar no oceano dispositivos especiais, bóias e outros tipos de sensores, que permitam detectar que existe uma onda que se aproxima de uma zona vulnerável", explicou Carlos Mendes, elemento da Protecção Civil portuguesa.

O anúncio deste sistema de alerta precoce em caso de catástrofes naturais foi feito hoje em Albufeira, à margem de um seminário sobre precisamente "Sistemas de Alerta Precoce".

A União Europeia está a apoiar o sistema de montagem de sensores no mar que depois vai alertar as populações dos perigos, estando em fase terminal um mecanismo comunitário de protecção civil que permita acudir a uma emergência a nível europeu, adiantou Patrícia Gaspar, adjunta de Operações Nacionais de Protecção Civil.

O tsunami é um problema global que afecta os países mais vulneráveis e as suas populações, onde se inclui Portugal, mas também os turistas que se encontrem nessas zonas e é necessário existir um plano e uma política uniformizada para avisar as pessoas de que existe perigo de vida.

Carlos Mendes refere que quando se fala em zonas vulneráveis não é a população só do próprio país que lá está que interessa avisar do perigo, mas todos os visitantes, como acontece no Algarve, que recebe milhares de turistas de várias nacionalidades e que é preciso que conheçam os códigos de alerta para catástrofes naturais.

É preciso ter um código de conduta comum para que qualquer cidadão independentemente da sua língua e da nacionalidade possa entender o que é que significa cada sinal e como agir perante esse sinal, explicou aquele especialista da Protecção Civil portuguesa.

Carlos Mendes mencionou que há várias metodologias postas em prática para avisar dos perigos, nomeadamente os antigos e tradicionais "toques acústicos", como por exemplo as sirenes e, neste caso, ter-se-ia que definir qual o toque europeu para o sinal de evacuação.

Há, no entanto, outras metodologias mais modernas utilizando novas tecnologias.

A difusão celular para telemóvel que permitiria de imediato que todos os telefones numa área de perigo recebessem uma mensagem com indicação de evacuação é uma das hipóteses.

Um sistema de aviso automático pelas televisões e rádio em que as emissões fossem interrompidas para difundir a informação de evacuação, como já existe no Japão, é outra das metodologias possíveis, explicou Carlos Mendes.

"Esse passo será dado de forma concertada entre os vários Estados-Membros e outros actores internacionais de forma a possibilitar a que cada país aceda à informação através das protecções civis para depois a transmitir à população.

O secretário de Estado da protecção Civil, Ascenso Simões, presidiu à sessão de abertura do seminário "Sistemas de Alerta Precoce" e anunciou que o desenvolvimento de um sistema de alerta precoce para tsunamis era um dos compromissos de Portugal na presidência da União Europeia.

"Procuraremos contribuir para o estabelecimento de um sistema de alerta precoce para tsunamis na região do Atlântico Norte e do Mediterrâneo".

Ascenso Simões defendeu "um reforço dos instrumentos de previsão e um esforço da parte da União Europeia na concretização "de dispositivos de resposta".

"Os sistemas de alerta devem merecer uma atenção reforçada (...) e a concretização de modelos que aceites por todos, possam funcionar sem roturas", declarou o membro do Governo português, Ascenso Simões.


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