Sentença de Rei Ghob adiada por alteração de factos

A leitura do acórdão do caso "Rei Ghob" foi adiada esta terça-feira, devido a uma alteração não substancial dos factos da acusação referente à vítima Ivo Delgado. Francisco Leitão, mais conhecido por "Rei Ghob", está acusado de quatro crimes de homicídio e ocultação de cadáver e arrisca-se à pena máxima.

RTP /
Lusa

O Tribunal de Torres Vedras decidiu adiar a leitura do acórdão do caso "Rei Ghob", sem avançar com uma nova data, ao comunicar à defesa uma alteração não substancial dos factos da acusação referente às circunstâncias em que terá ocorrido a morte de Ivo Delgado.

De acordo com a juíza presidente do júri, o testemunho de Mara Pires, chave neste processo, terá permitido perceber as circunstâncias e vários pormenores da morte do jovem, pelo que o júri terá decidido que os novos factos deveriam ser tornados públicos e concedida à defesa a possibilidade de exercer o contraditório. A defesa tem agora cinco dias para contestar os novos factos.

A testemunha terá especificado, entre outras coisas, a localização exata onde terá ocorrido o homicídio, alegadamente perto de Óbidos, bem como as circunstâncias em que o crime aconteceu.

A acusação incluía a atribuição a Francisco Leitão da autoria da morte de Ivo Delgado, mas não eram especificadas as circunstâncias em que teria ocorrido o crime.

A audiência de hoje, para a qual estava prevista a leitura da sentença, ficou ainda marcada pelo arremesso de um objeto para a assistência no momento em que o arguido, Francisco Leitão, abandonava a sala, já no final da audiência. O objeto atingiu uma das advogadas das famílias das vítimas, sem causar ferimentos.

Durante o julgamento, que está a decorrer desde janeiro, Francisco Leitão não quis prestar declarações, à exceção das alegações finais, onde apenas afirmou que "está inocente dos homicídios e das ocultações de cadáver" e que "não matou ninguém".

Nas alegações finais, o Ministério Público (MP) e os advogados das famílias pediram pena máxima para Francisco Leitão. Já quanto ao quarto homicídio, a de um idoso sem-abrigo conhecido por "Pisa Lagartos" e que remonta a 1995, tanto o MP como a defesa pediram absolvição do arguido.

Francisco Leitão, mais conhecido por "Rei Ghob", está acusado de quatro crimes de homicídio e outros quatro de ocultação de cadáver, relativos ao desaparecimento de Tânia Ramos (05 de junho de 2008), Ivo Delgado (26 de junho de 2008) e Joana Correia (03 de março de 2010).

Segundo a acusação, as três vítimas terão sido mortas por questões passionais: as duas raparigas, porque eram namoradas de jovens com quem o réu queria ter um caso amoroso, e Ivo Delgado, por não ter querido voltar a ter qualquer envolvimento com Leitão, após o desaparecimento da namorada, Tânia Ramos.
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