Sentença de Teresa Sousa lida hoje
A sentença da ex-funcionária da Procuradoria-Geral da República (PGR) Teresa Sousa, acusada de extorsão, corrupção, falsificação e violação do segredo de justiça, é lida hoje à tarde no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa.
O caso remonta a 2003, quando Teresa Sousa, na altura uma funcionária da Procuradoria-Geral da República, terá montado um esquema para extorquir dinheiro em troca de eventuais arquivamentos de inquéritos que estavam em curso na PGR.
O empresário e ex-jornalista Artur Albarran aparece como vítima de uma alegada vítima de extorsão de 100 mil euros, em 2004, relacionada com um processo de suspeitas de ilegalidades na empresa imobiliária de que era administrador, a Euroamer.
A arguida disse, durante as alegações finais, que caso seja condenada, revelará informações que incriminarão elementos do Ministério Público.
"Se eu for condenada, não tenho a menor dúvida de que terei muita coisa para revelar e muitos colegas seus estarão sentados comigo no banco dos réus", afirmou Teresa Sousa, dirigindo-se à procuradora do Ministério Público Manuela Ribeiro.
A procuradora pediu uma pena de 10 anos de prisão efectiva para Teresa Sousa e uma condenação mais leve para os arguidos Emílio Branco, também em prisão preventiva, e de António Araújo Monteiro, seu antigo sócio e que alegadamente terá estabelecido contactos até chegar a Artur Albarran, administrador da Euroamer.
A procuradora pediu também a absolvição de Ana Costa Alves, advogada com inscrição suspensa na Ordem dos Advogados e amiga de Artur Albarran, que apresentou queixa às autoridades por alegadamente estar a ser vítima de extorsão.
O advogado de Teresa Sousa, Themudo Barata, afirmou, durante as alegações finais, que a única coisa pela qual Teresa Sousa pode ser condenada é o crime de violação de segredo por funcionário.
O advogado de Emílio Branco pediu a absolvição do seu cliente do crime de falsificação e de dois crimes de extorsão, mas admitiu uma possível condenação por violação de segredo de justiça e corrupção passiva.
Quanto ao arguido António Araújo Monteiro, o seu advogado defendeu que qualquer pena aplicada terá de ser suspensa.
O colectivo de juízes é composto por José Eduardo Martins, Margarida Veloso e Margarida Natário. A procuradora do Ministério Público neste processo é Manuela Ribeiro.