Sequestrador condenado a 11 anos de prisão efectiva e expulsão do território
Wellington Nazaré, um dos dois homens que tentaram assaltar uma agência do Banco Espírito Santo, em Campolide, Lisboa, no passado mês de Agosto, foi condenado a uma pena de onze anos de prisão efectiva, à expulsão do país e a pagar uma indemnização de 10 mil euros aos funcionários sequestrados.
Feito o cúmulo das penas parcelares aplicadas a cada um dos crimes pelos quais o assaltante de nacionalidade brasileira foi condenado, totalizou 11 anos de prisão efectiva.
O Tribunal decidiu impor como pena acessória a Wellington Nazaré a pena de expulsão do território nacional ao mesmo tempo que o sequestrador se verá também na obrigação de pagar uma indemnização de dez mil euros aos dois funcionários da dependência bancária que manteve sequestrados, Vasco Mendes e Ana Antunes e cerca de quinze mil euros ao BES.
Terminada a audiência de julgamento e comentando o veredicto do Tribunal, o advogado de defesa admitiu que estava à espera de uma pena mais pesada e ainda não decidiu se vai recorrer da decisão.
"Era expectável que fosse pior. Poderia ir até 25 anos de cadeia. Nas alegações dissemos que a condenação deveria ir entre os cinco e os dez anos. Vamos agora examinar o acórdão e ainda é prematuro falar em recurso", disse João Martins Leitão.
Oito horas de sequestro
Corria o dia 8 de Agosto de 2008, quando dois indivíduos penetraram na dependência de Campolide do BES. Aí se barricaram, exigindo uma viatura para a fuga mantendo sequestrados seis pessoas.
Os dois assaltantes mantiveram-se barricados desde o início da tarde no interior da dependência do Banco Espírito Santo (BES) em Campolide.
A chamada a alertar para a ocorrência de um assalto ao BES da Rua Marquês de Fronteira foi efectuada às 15h05.
A Rua Marquês de Fronteira esteve cortada ao trânsito e a peões desde o Estabelecimento Prisional de Lisboa até à Rua Artilharia 1.
A polícia vedou todos os acessos ao local do assalto, criando um perímetro de segurança com cerca de 200 metros para cada lado.
O Comando Metropolitano de Lisboa destacou para o local equipas do Corpo de Intervenção equipadas com coletes à prova de bala e metralhadoras.
Negociações prolongadas
Uma equipa de efectivos da Unidade Central de Negociação, pertencente ao Grupo de Operações Especiais da Unidade Especial de Polícia, esteve em contacto com os assaltantes durante quase oito horas.
No local do assalto, a cerca de 70 metros da agência bancária, encontravam-se várias viaturas do INEM. Os médicos do Instituto Nacional de Emergência Médica envergavam coletes à prova de bala, a conselho dos agentes da PSP.
A PSP ordenou também o encerramento dos estabelecimentos comerciais situados nas imediações da dependência do Banco Espírito Santo.
O Grupo de Operações Especiais da Polícia de Segurança Pública levou a cabo uma operação relâmpago para libertar os dois funcionários do BES mantidos como reféns durante cerca de oito horas. Os dois sequestradores foram atingidos por disparos da polícia. Um dos assaltantes morreu no local.
Finalmente a intervenção policial
A intervenção do Grupo de Operações Especiais ocorreu às 23h23, depois de os assaltantes - dois cidadãos brasileiros com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos - terem apontado armas aos reféns na entrada da dependência do BES na Rua Marquês de Fronteira, em Lisboa.
Ao todo foram disparados três tiros. Dois disparos foram efectuados por atiradores especiais da polícia.
Um dos sequestradores, ferido com gravidade pelos disparos dos agentes da PSP, foi transportado para o Hospital de São José a bordo de uma viatura do INEM. O segundo sequestrador sofreu morte imediata.
Ambos os reféns foram também levados por precaução para aquela unidade hospitalar.