"Será porque represento o Chega?". Autarca de Albufeira diz-se "perseguido" pelo Ministério Público

"Será porque represento o Chega?". Autarca de Albufeira diz-se "perseguido" pelo Ministério Público

O Ministério Público acusou esta segunda-feira o presidente da Câmara de Albufeira de discriminação e incitamento ao ódio. Em entrevista à RTP, Rui Cristina diz sentir-se "perseguido" e questiona a celeridade do processo.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa

Em causa nesta acusação estão as declarações do presidente da Câmara de Albufeira numa Assembleia Municipal, quando se falava de habitação, em que Rui Cristina afirmou que o município não iria gastar dinheiro com a comunidade cigana. 

Na RTP, em entrevista à jornalista Ana Lourenço, o autarca vincou que "não iria construir habitação única e exclusivamente para um grupo ou para uma etnia" e que "quando construir habitação municipal será para todos".

"Não posso construir 27 fogos apenas direcionados para uma etnia ou um grupo, isso é que é discriminação", afirmou, numa referência à decisão de suspender a construção de um conjunto de habitações. 

O autarca do Chega e antigo deputado do PSD afirmou que a acusação versa "declarações políticas num órgão político, a Assembleia Municipal" e que "há um enquadramento" a ter em conta. 

"A habitação municipal será para todos: para aqueles que se integrem dentro do regulamento municipal habitacional que já está aprovado e que mereçam", acrescentou.

E garantiu: "Não sou pessoa de fazer diferenciações, mas não posso permitir construir casas única e exclusivamente seja para que grupo for".
"Sinto-me perseguido"

Na RTP, o presidente da Câmara de Albufeira questionou a celeridade de uma acusação que surge "em tempo recorde" e num momento de "férias judiciais". 

Perante os "casos judiciais por corrupção" ou "desvio de dinheiro que se arrastam por anos e anos", o autarca questiona "o porquê de terem dado tanta celeridade a este processo". 

"Será porque represento o partido Chega? (...) Sinto-me claramente perseguido", afirmou.

Rui Cristina adiantou ainda que está "a analisar" a situação com o advogado e que não teme a acusação, que em caso de condenação pode resultar em pena de prisão: "Não estou preocupado, sei que não cometi nenhum crime", asseverou.

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