País
"Será porque represento o Chega?". Autarca de Albufeira diz-se "perseguido" pelo Ministério Público
O Ministério Público acusou esta segunda-feira o presidente da Câmara de Albufeira de discriminação e incitamento ao ódio. Em entrevista à RTP, Rui Cristina diz sentir-se "perseguido" e questiona a celeridade do processo.
Em causa nesta acusação estão as declarações do presidente da Câmara de Albufeira numa Assembleia Municipal, quando se falava de habitação, em que Rui Cristina afirmou que o município não iria gastar dinheiro com a comunidade cigana.
Na RTP, em entrevista à jornalista Ana Lourenço, o autarca vincou que "não iria construir habitação única e exclusivamente para um grupo ou para uma etnia" e que "quando construir habitação municipal será para todos".
"Não posso construir 27 fogos apenas direcionados para uma etnia ou um grupo, isso é que é discriminação", afirmou, numa referência à decisão de suspender a construção de um conjunto de habitações.
O autarca do Chega e antigo deputado do PSD afirmou que a acusação versa "declarações políticas num órgão político, a Assembleia Municipal" e que "há um enquadramento" a ter em conta.
"A habitação municipal será para todos: para aqueles que se integrem dentro do regulamento municipal habitacional que já está aprovado e que mereçam", acrescentou.
E garantiu: "Não sou pessoa de fazer diferenciações, mas não posso permitir construir casas única e exclusivamente seja para que grupo for".
"Sinto-me perseguido"
Na RTP, o presidente da Câmara de Albufeira questionou a celeridade de uma acusação que surge "em tempo recorde" e num momento de "férias judiciais".
Perante os "casos judiciais por corrupção" ou "desvio de dinheiro que se arrastam por anos e anos", o autarca questiona "o porquê de terem dado tanta celeridade a este processo".
"Será porque represento o partido Chega? (...) Sinto-me claramente perseguido", afirmou.
"Será porque represento o partido Chega? (...) Sinto-me claramente perseguido", afirmou.
Rui Cristina adiantou ainda que está "a analisar" a situação com o advogado e que não teme a acusação, que em caso de condenação pode resultar em pena de prisão: "Não estou preocupado, sei que não cometi nenhum crime", asseverou.