Serralheiro acusa Centro Hospitalar do Alto Minho de o mandar para casa com arame enferrujado no peito
Um homem de 58 anos acusou o Centro Hospitalar do Alto Minho (CHAM) de negligência por alegadamente o ter mandado para casa sem extrair um arame enferrujado que lhe entrou no peito, num acidente de trabalho.
"O médico que me atendeu disse que não me extraía o arame porque estava muito perto de um pulmão e tinha medo de o perfurar. Disse-me que o corpo se haveria de encarregar de rejeitar o arame e mandou-me para casa", disse à Lusa.
António Leal, residente em Agualonga, Paredes de Coura, contou que o acidente de trabalho ocorreu a 07 de Julho, tendo sido atingido por estilhaços de arame no braço esquerdo e no peito.
"No hospital [CHAM] tiraram-me o arame do braço mas deixaram o que tinha no peito, com 11 milímetros de comprimento e 0,8 de espessura. Passados cinco ou seis dias, comecei a sentir fortes dores em todo o corpo, porque o arame não foi extraído me causou uma infecção", disse.
Recorreu, então, a uma clínica particular no Porto, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica para lhe ser retirado o arame alojado no peito durante 17 dias.
António Leal afirma, agora, que, por causa da "negligência" do CHAM, não tem força nas articulações, as mãos estão inchadas, anda sempre com frio nas pernas, tem problemas respiratórios e sente cansaço "por tudo e por nada".
"Se me tivessem extraído o arame logo de imediato e não o deixassem infeccionar, nada disto teria acontecido", acusa.
Contactado pela Lusa, o gabinete de Relações Públicas do CHAM garantiu que o doente "foi assistido correctamente", tratando-se de um arame "muito pequeno, com menos de um centímetro", que "estava muito dentro do músculo", afigurando-se a tentativa de extracção contraproducente, tanto mais que não tinha sido atingida nenhuma zona vital.
"Nestes casos, opta-se normalmente por não mexer, porque são maiores os estragos do que os benefícios", explicou a fonte.
Disse ainda que foi receitada medicação para que o doente tomasse em caso de infecção e que o CHAM o notificou para lá voltar dia 21, para reavaliação da situação.
"Ele voltou logo no dia 10, tendo sido novamente submetido a exames e, uma vez mais, foi notificado para comparecer no dia 21, mas nunca mais cá apareceu", acrescentou a fonte.