Serviço da GNR investiga denúncia

O serviço especializado em Ambiente da GNR (SEPNA) "vai iniciar desde já" investigações sobre a denúncia de um deputado espanhol acerca de duas empresas portuguesas que transportaram resíduos perigosos e alimentos no mesmo veículo.

Agência LUSA /

"As nossas equipas de investigação vão iniciar desde já um processo de investigação para apurar mais informação sobre o assunto e descobrir a veracidade da denúncia", afirmou à agência Lusa Jorge Amado, coordenador nacional do SEPNA - Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR.

Um deputado espanhol denunciou que duas empresas portuguesas usam camiões de transporte de resíduos tóxicos para transportar, depois, produtos alimentares para vários pontos da Península Ibérica, incluindo Portugal.

"O transporte de resíduos é regularmente fiscalizado pelo SEPNA, sendo Portugal referenciado em toda a Europa como um dos melhores em termos de movimento transfronteiriço de resíduos. Mas isso não invalida que possam existir casos pontuais, como poderá ser este", adiantou aquele responsável.

A lei impõe vários requisitos para os transportadores de resíduos, incluindo o seu licenciamento pelo Instituto de Resíduos, guias de acompanhamento para cada um dos transportes efectuados e ainda uma notificação de todas as autoridades competentes.

Ao transportador de resíduos é proibido fazer outro tipo de transporte, que não seja o de lixo tóxico, sendo exigido aos motoristas uma certificação profissional (da DGTT - Direcção-geral dos Transportes Terrestres e Fluviais) que ateste a sua condição física e psíquica para transportar mercadorias perigosas.

O deputado espanhol Francisco Garrido, porta-voz dos Verdes na Andaluzia, fez a denúncia numa conferência de imprensa em Huelva, na qual se escusou, para já, a revelar os nomes das empresas, que explicou terem sido já comunicados às autoridades regionais.

Garrido disse que os camiões são usados para transportar resíduos tóxicos para a central de tratamento de Nerva, em Huelva, onde são lavados, viajando depois para Riotinto ou Huelva onde são carregados com produtos alimentares.

O deputado escusou-se para já a revelar os nomes das empresas de transporte - que estão indicados no dossier remetido às autoridades - ou das empresas alimentares que "podem nem saber o que se passa" e que assim "poderiam ver a sua imagem danificada".

Garrido anunciou que os Verdes vão apresentar uma proposta no Parlamento em Madrid para que "sejam reforçadas as medidas de controlo do transporte de resíduos desde a sua origem".


PUB