Servilusa deverá explorar serviço funerário no cemitério Carnide - CML
O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, afirmou hoje que a empresa que pretendia instalar um centro funerário em Alvalade deverá vir a explorar um serviço funerário e um crematório no cemitério de Carnide.
"No cemitério de Carnide falta criar um serviço funerário e um novo crematório. A Servilusa vai concorrer a essa oportunidade que a Câmara de Lisboa já estava a preparar", disse hoje aos jornalistas Carmona Rodrigues, à margem de um colóquio sobre "Orçamento Participativo", que decorre esta tarde no Fórum Lisboa.
O autarca lisboeta afirmou que se reuniu com os responsáveis da empresa no passado sábado, tendo saído desse encontro a decisão de abandonar em definitivo o projecto do centro funerário em Alvalade, muito contestado pela população local.
Carmona Rodrigues adiantou que "só dois dos sete cemitérios de Lisboa têm crematório, que já não proporcionam uma boa resposta face à procura", pelo que a Câmara de Lisboa já tencionava criar estes serviços no cemitério de Carnide, a ser alvo de um concurso para expansão.
Contactado pela Lusa, Paulo Carreira, administrador da multinacional funerária Servilusa, escusou-se a comentar, remetendo para um comunicado conjunto da autarquia lisboeta e da empresa funerária que será divulgado quarta-feira.
Na semana passada, a vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, admitira que a Servilusa poderia vir a construir um centro para a realização de serviços funerários destinados a todas as religiões, um projecto do município a instalar perto do cemitério de Carnide.
Na altura, a responsável municipal explicou que o edifício da Rua Conde Ficalho, em Alvalade, não poderia ser usado pela Servilusa, uma vez que em 1997 foi objecto de obras que não foram licenciadas pela autarquia.
"Enquanto estas obras não estiverem legalizadas, o edifício não pode ser utilizado", referiu.
O projecto que a Servilusa tinha para Alvalade incluía nove salas para velórios, duas capelas, uma sala de preparação e maquilhagem de corpos, uma cafetaria e um espaço de computadores destinado a crianças.
O complexo, que incluía ainda uma florista e uma loja de artigos religiosos, concentraria também todos os serviços associados à realização de um funeral, mantendo-se em funcionamento permanente.
Os moradores daquele bairro lisboeta opuseram-se desde o início ao projecto, alegando que o centro funerário iria agravar os problemas de estacionamento e tráfego na zona, além de se situar na proximidade de um jardim-de-infância e de um lar.