Sessenta pc dos jovens enviados para reformatórios são provenientes da capital

Seis em cada 10 jovens enviados pelos tribunais para Centros Educativos por terem cometido crimes são oriundos da Grande Lisboa, informou hoje o Ministério da Justiça, no dia em que o ministro visitou um destes estabelecimentos.

Agência LUSA /

Segundo dados do Ministério, encontram-se internados nos 12 Centros Educativos do país 298 jovens dos quais 178 são oriundos de Lisboa.

Os centros destinam-se ao internamento de menores que tenham cometido crimes entre os 12 e os 16 anos, podendo a sua permanência nestas instituições, geridas pelo Instituto de Reinserção Social (IRS), prolongar-se até aos 21 anos.

De acordo com os dados fornecidos à Lusa, em 31 de Março deste ano, a média de idades dos educandos situava-se entre os 15 e os 16 anos.

A maioria dos internados (204) encontra-se em regime semi-aberto, ou seja, apesar de residirem no centro e de frequentarem as actividades formativas e de tempos livres, os educandos podem ser autorizados a frequentar actividades no exterior.

Contudo, as saídas são acompanhadas por funcionários do centro e a autorização para férias depende do projecto educativo pessoal e do seu comportamento.

Nos centros são desenvolvidos programas educativos, formativos e terapêuticos orientados "por um princípio de que o menor é um sujeito de direito e deveres e que a acção realizada deve ser adequada à sua maturidade e ao seu desenvolvimento pessoal e social", informa o Ministério.

Dos 12 centros, apenas dois são destinados a jovens do sexo feminino: o de S. Bernardino (Peniche) e o de S.

José (Viseu) sendo que a população feminina representa apenas cinco por cento do total, com 14 jovens.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, visitou hoje o Centro Educativo de S. Bernardino, que tem actualmente nove jovens, três das quais em regime aberto (podem frequentar actividades formativas e de tempos livres no interior e exterior tendo a possibilidade de ser autorizadas a sair em fins de semana ou férias) e seis em regime semi-aberto.

Apesar de os dados fornecidos pelo Ministério da Justiça apontarem para uma lotação de 15, o centro de S.

Bernardino chegou a albergar várias dezenas de jovens.

Após a visita, o ministro declarou que esta foi a primeira vez que se deslocou a um centro com estas características, preferindo não adiantar pormenores sobre se irá haver alguma alteração ao seu funcionamento.

à semelhança dos restantes centros, o de S.

Bernardino desenvolve um projecto de intervenção educativa aplicada a cada educando e que consta da aquisição progressiva de uma maior autonomia e responsabilidade.

O centro desenvolve ainda um programa de formação escolar dos três níveis do ensino básico (1º, 2º e 3º ciclos) e um programa de formação profissional nas áreas da informática, expressão artística e atelier de cabeleireiro.

O ministro presidiu hoje à cerimónia de cedência da capela do centro educativo de S. Bernardino, pertencente ao ministério da Justiça, à Câmara de Peniche.

O centro funciona no antigo Convento da Ordem Religiosa dos Franciscanos (construído em 1451) onde existe uma capela que através do protocolo celebrado hoje vai passar a ser aberta ao culto por toda a população desta localidade.

A autarquia compromete-se a conservar e restaurar este equipamento.

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