Sete em cada 10 portugueses consideram-se os melhores condutores

Sete em cada 10 automobilistas portugueses julgam-se os melhores nas estradas, culpando os outros pela má condução, de acordo com um inquérito europeu.

Agência LUSA /

De um total de 23 países da Europa foram os finlandeses os mais "humildes", com apenas 43 por cento a considerar que conduz melhor do que os outros.

A média europeia situa-se nos 63 por cento, com Portugal (73 por cento), a Irlanda (74 por cento) e a Itália (77) a apresentarem a mais alta percentagem de condutores que julga que a condução que fazem é menos perigosa do que a dos outros.

O estudo, para o qual foram entrevistados 24.000 condutores (mais de mil em cada país), foi feito pelo Projecto SARTRE, que começou em 1991 com 15 países e está agora na terceira fase, envolvendo já 23 países.

O projecto SARTRE - Atitudes Sociais perante o Risco Rodoviário na Europa tem o apoio da Comissão Europeia e os últimos resultados, aos quais a Agência Lusa teve acesso, vão ser apresentados publicamente no próximo mês.

De acordo com o trabalho, são os polacos os que mais gostam de conduzir com velocidade, 89 por cento, aparecendo aqui os portugueses com uma percentagem abaixo da média. Apenas 49 por cento admite que gosta de velocidades, quando a média europeia está nos 52 por cento.

No entanto, os portugueses estão acima da média no hábito de usar o telemóvel enquanto conduzem. Assim, 32 por cento admitiu fazer pelo menos uma chamada enquanto está ao volante, sendo a média europeia de 28 por cento. Os que menos falam ao telemóvel enquanto conduzem são os franceses (12 por cento). No Chipre 46 por cento admitiu que o fazia.

Na questão do trânsito o SARTRE 3 identifica três grandes grupos de países: os que tomaram medidas nos últimos anos para tornar a condução mais segura, conseguindo reduzir o número de mortos (Portugal está neste grupo); os que já tinham alcançado esse patamar;

e os que regrediram nos últimos cinco anos, estando neste caso apenas a Eslováquia.

Três são também os principais factores de risco identificados:

condução sob efeito de álcool, o excesso de velocidade e falta de cinto de segurança.

Em relação ao álcool a maior parte dos países da Europa impôs um limite de 0,5 gramas por litro de sangue (Portugal tem esse limite), uma taxa com a qual a generalidade dos condutores concorda.

Nos últimos três anos, 26 por cento dos condutores entrevistados foram submetidos ao teste de alcoolémia, dos quais 11 por cento mais do que uma vez.

Em Portugal, 18 por cento teve de "ir ao balão" e 15 por cento foi mais do que uma vez. Os italianos (três e um por cento, respectivamente) foram os menos fiscalizados e os finlandeses (26 e 38 por cento) os mais.

Com a Comissão Europeia a estimar que em cada ano morrem nas estradas 10.000 pessoas devido a acidentes em que pelo menos um dos intervenientes está alcoolizado, a maior parte dos condutores apoia medidas penalizadoras para os reincidentes na condução com álcool.

Quanto à velocidade, os limites impostos pouco diferem na generalidade dos países, mas o estudo assinala que a maior parte dos condutores admite que ultrapassa os limites impostos, especialmente os motociclistas.

Em geral, diz o trabalho, quanto mais os automobilistas consideram que têm uma condução segura mais ultrapassam os limites.

Porém, conclui o SARTRE 3, nos últimos três anos apenas um em cada cinco condutores foi penalizado por excesso de velocidade, com Portugal dos países que menos multas aplicou.

Atrás de Portugal, com nove por cento dos condutores penalizados, ficou apenas a França (oito por cento), sendo a média europeia de 18 por cento.

Quanto aos cintos de segurança o estudo alerta para a existência de muitos automobilistas que ainda acreditam que se conduzirem com cautela, nas localidades, não precisam de cinto. É o caso de 17 por cento dos portugueses, para uma média europeia de 19 por cento.

E são também médias europeias que indicam que apenas 47 por cento dos automobilistas nunca ou raramente excederam os limites da velocidade, que quatro por cento conduziu pelo menos uma vez na semana anterior à entrevista com álcool no sangue e que 13 por cento raramente ou nunca usava o cinto nas áreas urbanas.

Os automobilistas europeus defendem uma harmonização das leis e o uso de novas tecnologias, quer para fiscalizar quer para dotar os veículos de outros tipos de segurança.

E mostram-se mesmo favoráveis a leis mais "pesadas" para quem conduz e bebe, embora considerem, quando são apanhados em excesso de velocidade, que "tiveram azar" e que o seu comportamento não foi particularmente grave.

A UE quer reduzir para metade as mortes nas estradas até 2010, e propõe para isso, nomeadamente, o reforça das sanções para quem prevarique, a criação de programas de esclarecimento e educativos, e a introdução de novas tecnologias, nos veículos (sistema de navegação, por exemplo) e nas estradas (câmaras e gestão de tráfego).

Mas a maior parte dos automobilistas pensa que conduz melhor do que os outros, e diz o estudo que é também grande a percentagem de condutores que acusa os restantes de atitudes agressivas na estrada.

Ao contrário, são poucos os que admitem ser agressivos.

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