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Sexualidade e deficiência, tema que "ainda não acasala", discute-se sábado no Porto

Sexualidade e deficiência, tema que "ainda não acasala", discute-se sábado no Porto

Porto, 13 fev (Lusa) - Sexualidade e deficiência são dois termos que "ainda não acasalam" de forma adequada por "tabu, ignorância ou preconceito", algo que especialistas e pessoas com diversidade funcional querem mudar ao promover a discussão do tema sábado no Porto.

Lusa /

"Recentemente uma pessoa com deficiência física, dois meses depois de uma lesão medular grave que conduziu a um quadro de paraplegia, perguntou a um profissional de saúde: `e agora como é que vai ser em relação à minha sexualidade?`, tendo obtido como resposta `parece impossível que com uma situação tão grave esteja importado com essas coisas`" - o exemplo foi dado à Lusa pelo psicólogo clínico Jorge Cardoso.

O também sexólogo vincou que, "ainda que não generalizado", este exemplo "está longe de ser exceção", apesar da convicção de que "a saúde sexual e reprodutiva é um direito de todas as pessoas".

A sexualidade é traçada por três tipos de aspetos - fisiológicos, psicológicos e socioculturais - e, segundo Jorge Cardoso, "a realidade mostra que no que diz respeito à ordem fisiológica e psicológica, de forma mais ou menos adequada, com mais ou menos apoio, as pessoas com deficiência vão conseguindo envolver-se sexualmente e fazer aquilo que é viável com as capacidades que têm".

Então, onde é que encontram mais obstáculos? "Naquilo que ressalta do enquadramento sociocultural, pois tendem a ser vistas como assexuadas", apontou o especialista, numa opinião que é partilhada por Rui Machado, membro do movimento Sim, nós fodemos!, que promove no sábado, no bar Maus Hábitos, a conferência "Sexualidade e Deficiência".

"Vão-se fazendo conferências sobre a deficiência mas aborda-se pouco a sexualidade. É um facto que em Portugal ainda não se fala sem tabus. É o país dos três `F` mas nenhum deles é `foder`. Temos sentido que estamos numa prova com dupla barreira: o tabu da deficiência e o tabu da sexualidade", referiu à Lusa Rui Machado, de 31 anos, doente neuromuscular, mestre em psicologia clínica.

Segundo o promotor do movimento criado em novembro de 2013, dentro do movimento (d)Eficientes Indignados, o grupo procura "quebrar preconceitos e fornecer informação às pessoas".

A "superproteção" da família, por exemplo, pode ser tanto "positiva", como resultar no facto de uma parte da vida de uma pessoa com deficiência ser negligenciada.

O grupo de amigos é, portanto, visto como "fundamental" como "agentes facilitadores de convívio".

"As pessoas com deficiência, na prática da sua sexualidade estão muito limitadas, não só pelas suas próprias limitações físicas. Às vezes o meio ambiente não lhes permite ir a um bar, conviver, ter contactos sociais mais alargados", descreveu, por sua vez, Jorge Falcato, do (d)Eficientes Indignados, rosto conhecido pelas concentrações e protestos travados frente ao parlamento português em defesa dos direitos de pessoas com deficiência.

Entre outros, Ana Garrett para falar de reabilitação, ou Lia Raquel Neves e Ana Lúcia Santos, do projeto Intimidade e Deficiência que reflete sobre as diferentes orientações sexuais e identidades de género dentro da deficiência, são alguns dos convidados da conferência de sábado que tem início às 10:00.

Ao ator com nanismo David Almeida, "uma pessoa conhecida e sem papas na língua" que "tem conseguido virar a sua diferença a seu favor" em termos profissionais, caberá dar um testemunho pessoal.

O debate também servirá para afinar ideias sobre se faz ou não sentido a existência de "assistentes sexuais".

Jorge Falcato acha "perfeitamente normal e necessário", ainda que não descure - tal como Rui Machado, que procura "diferenciar muito bem o que é assistência sexual do recurso a prostituição" - a necessidade de "discutir bem" os moldes de um tema que é, admitiu o sexólogo Jorge Cardoso, "pantanoso".

 

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