"Sim" é a única forma de acabar com a "chaga" do aborto clandestino

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, defendeu quarta-feira o voto "sim" no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas, como a única forma de acabar com a "chaga" do aborto clandestino.

Agência LUSA /

"Se o `sim` ganhar, acaba a chaga do aborto clandestino e a perseguição das mulheres que abortam", afirmou Francisco Louçã, em Beja, numa sessão sobre a interrupção voluntária da gravidez.

Por outro lado, contrapôs, "se o não ganhar, no dia seguinte, continuar á tudo na mesma. As mulheres que abortam vão continuar a ser consideradas assass inas, punidas e julgadas de uma forma ou de outra".

Apesar dos "muitos argumentos", Francisco Louçã considerou o "bom-senso " como a "única diferença entre o `sim` e o `não` à despenalização do aborto".

"Só o bom-senso do `sim` permitirá que, no dia 11 de Fevereiro, depois das 20:00, o nosso País sinta uma diferença e respire de alívio", disse, defende ndo que, para isso, "é preciso mobilizar as pessoas e convencê-las a não se abst erem".

"É importantíssimo combater a abstenção", salientou, recordando que "o `não` venceu no referendo de 1998 porque as pessoas não foram votar".

"Foi com o último referendo que começou o maior ataque e humilhação às mulheres", disse, lembrando que, desde então, "houve mais interpelações policiai s, julgamentos e condenações do que nunca".

Francisco Louçã salientou ainda que os movimentos em defesa do `não` es tão "impressionados com a mobilização e a convergência de pessoas tão diferentes que estão do lado do `sim`", destacando a "presença dos profissionais de saúde" .

No segundo dia de campanha oficial, o dirigente bloquista defendeu tamb ém o referendo, não a votação na Assembleia da República, como a "única forma de resolver o problema da criminalização do aborto", que considerou uma "ameaça do código penal".

"Há alguém que, se souber de uma amiga, de uma vizinha ou de uma famili ar que abortou, levante o dedo para dizer que é criminosa e assassina e a vai de nunciar?", questionou, respondendo: "É claro que não".

"Isto prova-nos que não há crime e que a sociedade não considera que a mulher que aborta é assassina", justificou, acrescentando que "estamos a discuti r uma questão de civilização e liberdade".

"E a liberdade é uma forma de responsabilidade. E só as mulheres, os ca sais, as famílias, as pessoas sabem decidir. É a estes que compete decidir", rem atou.

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