Sindicato congratula-se com "mão pesada" da Justiça
O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) congratulou-se com as penas de 23 e 19 anos aplicadas hoje aos acusados da morte do agente Ireneu Diniz, considerando que "se fez Justiça".
"Aplaudimos o acórdão, que é uma medida severamente punitiva e pedagógica para quem atenta ou retira mesmo a vida a elementos das forças de segurança", disse à Agência Lusa o presidente do SINAPOL, Armando Ferreira.
O Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, aplicou hoje aos arguidos Luís Carlos Santos e Euclides Tavares, acusados da morte do agente da PSP Ireneu Dinis, as penas de 23 e 19 anos de prisão, respectivamente.
Para o dirigente do SINAPOL, "só com uma Justiça de mão pesada os crimes, nomeadamente contra os profissionais das forças de segurança, começam a diminuir".
Armando Ferreira desejava, no entanto, que "o acórdão do colectivo de juízes determinasse que as penas fossem para cumprir efectivamente na totalidade, sem qualquer hipótese de liberdade condicional ao fim de alguns anos".
Por sua vez, o dirigente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) Luís Maria, em declarações aos jornalistas na Boa Hora, considerou que casos como o da morte do agente Ireneu Dinis "podem voltar a acontecer, porque a Polícia continua a não ter armamento adequado e eficiente".
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), por se lado, discordou das penas de prisão aplicadas aos arguidos Luís Carlos Santos e Euclides Tavares, pedindo a condenação máxima.
"Deveria ter sido aplicada a pena máxima de 25 anos aos dois arguidos. Não concordei com os 23 e 19 anos determinados pelo juiz", afirmou o dirigente da ASPP José Magalhães à saída do Tribunal da Boa Hora.
Quanto à promessa governamental de que vão ser entregues novas armas à PSP e GNR, o dirigente da ASPP considera que a medida não é suficiente, sendo necessário uma alteração ao regulamento interno da PSP.
"Como agente da autoridade, não me chega ter novas armas porque o seu uso continua limitado por um regulamento interno", frisou.
O agente Ireneu Jesus Gil Dinis, de 33 anos, foi atingido mortalmente por vários disparos de arma automática e de caçadeira quando seguia num carro patrulha da PSP que circulava na madrugada de 17 de Fevereiro de 2005 no bairro da Cova da Moura, concelho da Amadora.
O tiroteio causou ainda ferimentos ligeiros no agente da PSP Nuno Miguel Saramago.