Sindicato da Função Pública exige "suspensão imediata" de pensões dos políticos
O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) reclamou hoje a "suspensão imediata" das pensões dos políticos que acumulam a aposentação com os vencimentos dos cargos que exercem.
"Exigimos que o Governo suspensa imediatamente as aposentações dos autarcas, deputados e outros políticos que recebem também, em simultâneo, uma pensão da Caixa Geral de Aposentações", declarou José Abraão, vice-secretário geral do SINTAP, filiado na central sindical UGT.
O sindicalista falava à agência Lusa, em Coimbra, a propósito de um protesto realizado hoje à tarde, junto à Porta Férrea (entrada principal da Universidade de Coimbra, na Alta da cidade), contra a alegada "atitude discriminatória" da reitoria em relação às centenas de trabalhadores da instituição.
José Abraão disse que a iniciativa do SINTAP visou também manifestar "oposição às medidas propostas pelo Governo para combater o défice orçamental", por serem "fortemente penalizadoras dos trabalhadores, em especial os de mais baixos rendimentos".
"A partir de hoje, adoptamos o princípio da 'tolerância zero' em relação aos políticos. São eles os principais responsáveis pela situação a que o país chegou", acentuou.
Num documento entregue na reitoria pela direcção do Sindicato, no final de um plenário da classe, no Teatro Paulo Quintela, o SINTAP insurge-se contra o que classifica como "discriminação de que são objecto os trabalhadores auxiliares" dos diferentes departamentos e faculdades da UC.
É ainda contestada "a não realização de concursos de acesso e o sistemático recurso ao trabalho precário".
"Apesar da disponibilidade que sempre manifestou para contribuir para a procura das melhores soluções profissionais para os funcionários da Universidade, o SINTAP nunca foi ouvido, ou seja, as nossa sugestões e propostas nunca foram consideradas", refere a nota.
Salienta, por exemplo, que "a possível reclassificação dos auxiliares administrativos para auxiliares técnicos continua por fazer, à semelhança o que foi feito com os funcionários da Faculdade de Letras (que estão) nas mesmas condições e ao abrigo da legislação ainda hoje existente".
"O mesmo se passa com os administrativos, técnico- profissionais, tesoureiros e chefes de secção, entre outros", refere o documento dirigido ao reitor da UC, Seabra Santos, frisando que os Serviços de Acção Social da instituição "resolveram já uma situação deste tipo" e que os problemas neste domínio configuram um "tratamento discriminatório dado a funcionários em situações iguais".
O SINTAP, na sua iniciativa, reiterou a posição da UGT de contestação às medidas anunciadas na semana passada pelo Governo para combater o défice das contas públicas.
"As medidas de redução das despesas aparecem como muito desequilibradas, prejudicando claramente os trabalhadores, em especial os da administração pública", declarou José Abraão.