Sindicato da PSP sugere aos polícias que votem PS em futuras eleições

O presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), António Ramos, sugeriu hoje aos polícias que votem no PS em futuras eleições, considerando que "com Governos do PSD não se consegue nada".

Agência LUSA /

O dirigente sindical, que falava aos jornalistas durante uma concentração de polícias e familiares na Praça do Comércio, em Lisboa, realçou que "só com Governos do Partido Socialista" os polícias conseguiram resposta para as suas reivindicações, enquanto com executivos do Partido Social Democrata "não se consegue nada".

"Espero que os polícias tenham em conta esta situação em futuros actos eleitorais", disse António Ramos.

O protesto de polícias e familiares, nas proximidades do Ministério da Administração Interna (MAI), que tutela as forças de segurança, foi convocado pelo SPP, tendo aderido também a Associação Sindical Independente de Agentes da Polícia de Segurança Pública.

Os cerca de 40 polícias e familiares que compareceram na tarde de hoje na Praça do Comércio queixavam-se da "falta de respeito" do MAI e da Direcção Nacional da PSP para com os profissionais da corporação e suas famílias.

Essa "falta de respeito" - referiu António Ramos - "está patente na falta de soluções por parte da tutela para os problemas da PSP e dos seus profissionais, o que também afecta os familiares".

"Simplesmente, tem havido contra-informação, da qual estamos fartos há muito tempo. Dizem que as soluções são para hoje, depois para amanhã e passam para a semana. Estamos fartos de promessas", acrescentou o presidente do SPP.

O protesto de hoje, que decorreu sob chuva, visou, nomeadamente, exigir "mais uma vez a imediata promoção dos agentes e subchefes".

"Deve acabar-se com os concursos por avaliação curricular e promover-se todos" os profissionais da PSP "que já fizeram quatro anos no mesmo posto", defendeu António Ramos.

"Durante o período de suspensão da avaliação curricular devem ser promovidos por antiguidade todos os que estejam em condições de o ser", acrescentou.

Segundo os sindicalistas, existem cerca de quatro mil profissionais da PSP à espera de promoção há três anos, o que tem causado "grande descontentamento", uma vez que "há agentes que, por não terem sido promovidos, estão a perder 200 euros por mês".

Quanto à aposentação e pré-aposentação dos polícias, o SPP entende que "quem tenha todo o tempo de serviço possa, a seu requerimento, ir para a aposentação independentemente da idade e sem perda de dinheiro".

Por outro lado, o Sindicato dos Profissionais de Polícia reclama um novo Estatuto Disciplinar para a PSP, alegando que o actual "é do tempo do Estado Novo".

O SPP também propõe uma tabela única de serviços remunerados e o pagamento de todos os subsídios a que os agentes têm direito quando se encontram de "baixa" médica por motivos de serviço.

A estrutura sindical queixa-se, igualmente, que muitos polícias não recebem a remuneração correspondente aos serviços remunerados.

"Estamos fartos de trabalhar de forma gratuita nos chamados serviços remunerados. Muitas entidades não nos pagam. O gabinete do primeiro-ministro, o MAI e a Direcção Nacional da PSP há muito que têm disso conhecimento e nada fazem. Apenas continuamos a ser escalados.

Isto é escravidão", frisou António Ramos.

Os manifestantes exigiram também hoje mais meios humanos e materiais para a PSP e uma melhoria das instalações, principalmente das esquadras.

"Há zonas onde o policiamento é insuficiente e esquadras por abrir por falta de efectivos", denunciou António Ramos.

A situação de "falência" dos Serviços de Saúde da PSP é outra questão que o SPP quer ver resolvida. "Como a PSP está em dívida com os médicos, os polícias têm de pagar as consultas na totalidade", referiu o sindicalista.

O reconhecimento das uniões de facto na PSP e o "correcto posicionamento" nos escalões são outras reivindicações do SPP.

à concentração de hoje em Lisboa vão seguir-se outros protestos "de forma faseada" no Porto, Coimbra e Faro, anunciou o presidente do SPP.

Além disso, o SPP vai manter piquetes de protesto entre os dias 06 e 10 de Dezembro próximos à porta do Ministério da Administração Interna e da Direcção Nacional da PSP.

Entretanto, uma delegação do SPP vai reunir-se na próxima terça-feira com o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, para lhe expor as suas reivindicações.

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