País
Sindicato dos Médicos do Norte leva à Provedoria novo modelo da Formação Especializada
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) apresentou uma queixa urgente à Provedora de Justiça contra a alteração, já com o concurso em curso, do modelo de escolha das vagas da Formação Especializada do Internato Médico 2026. A estrutura sindical, presidida por Joana Bordalo e Sá, pede a suspensão do novo modelo e uma escolha sequencial, transparente e em tempo real.
Segundo o comunicado enviado às redações, “a queixa dá continuidade à intervenção iniciada pelo SMN a 16 de setembro, quando exigiu à Ministra da Saúde e à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) esclarecimentos sobre os lotes de candidatos, o algoritmo de atribuição de vagas, o número de opções permitido e o destino das vagas recusadas”.
Para o sindicato, “a resposta da ACSS não esclareceu as questões concretas colocadas”.
Alguns dias depois, a 28 de setembro, a Direção do SMN reuniu também com cerca de 30 médicos internos de Formação Geral, para ouvir as suas preocupações e avaliar o impacto do novo modelo.
Segundo a estrutura sindical, “para milhares de jovens médicos, esta escolha pode determinar a especialidade que vão exercer, a unidade de saúde onde vão trabalhar e a localidade onde irão viver durante vários anos. As regras têm de ser claras, conhecidas antecipadamente e iguais para todos”.
O comunicado recorda ainda que, “até 2025, cada candidato escolhia, por ordem de classificação, conhecendo as vagas ainda disponíveis”.
No entanto, “depois de os candidatos se terem inscrito, realizado a prova e sido ordenados, a ACSS anunciou que a escolha em 2026 seria exclusivamente online, assíncrona e por lotes”. Para a estrutura sindical, “modernizar não pode significar retirar transparência, informação ou direitos. Digitalizar um concurso não pode servir para mudar as regras depois de ele ter começado.”
Segundo o sindicato, “não se trata apenas de trocar uma sala por um computador. Mudou a própria forma de escolher”.
“Os candidatos passam a ordenar previamente as suas preferências, que serão processadas por um algoritmo, sem conhecerem as vagas efetivamente disponíveis quando chegar a sua posição. Persistem dúvidas sobre aspetos essenciais do processo e desigualdades nas condições de escolha: o primeiro lote irá dispor de cerca de quinze dias, enquanto os restantes terão pouco mais de 13 horas, eventualmente num dia de trabalho e sem dispensa de serviço”, acrescenta a nota.
O SMN apela ainda a uma intervenção urgente antes do início das escolhas e que, em 2026, seja mantido um sistema sequencial, presencial ou eletrónico, mas síncrono e em tempo real.
Pedido caiu em “saco roto”
Em declarações à agência Lusa, Tiago Ramos, da direção do SMN e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), explicou que o sindicato avançou com uma queixa urgente à Provedoria de Justiça porque o pedido de esclarecimentos "caiu em saco roto".
Criticou também o facto de o novo modelo ter sido anunciado "muito em cima do acontecimento", acrescentando que foram os próprios médicos associados que procuraram o sindicato para "pedir auxílio" perante as dúvidas suscitadas pelo novo sistema.
Para Tiago Ramos, os candidatos devem conhecer antecipadamente as regras para poderem "programar e planear a sua vida".
Uma das principais críticas diz respeito ao tempo disponível para ordenar as preferências, que Tiago Ramos considera "um fator de desigualdade".
Segundo o dirigente, o primeiro lote poderá dispor de cerca de 10 a 15 dias para preparar a lista, enquanto os restantes candidatos terão pouco mais de 13 horas para decidir depois de conhecerem as vagas disponíveis.
O sindicato contesta ainda a distribuição por lotes e a obrigação de apresentar previamente uma lista extensa de preferências, sem saber quais as vagas que estarão disponíveis quando chegar o momento da escolha.
Segundo Tiago Ramos, a lista poderá chegar a "quase 150 vagas", obrigando os candidatos a antecipar decisões que, no modelo anterior, eram tomadas com base na oferta disponível naquele momento.
O dirigente alertou também para situações em que as escolhas de diferentes candidatos estão relacionadas, como acontece com casais, familiares ou pessoas que pretendam permanecer na mesma região. Neste contexto, considera que os candidatos "vão escolher um bocadinho às cegas".
"Um pode ficar em Lisboa e outro ficar no Porto. Quando, se calhar, se ficassem ambos em Coimbra, preferiam ficar os dois juntos em Coimbra", exemplificou, considerando que o novo modelo está a causar "um grande stress" aos médicos num "momento definidor" da sua carreira, com consequências para "as próximas décadas".
Alguns dias depois, a 28 de setembro, a Direção do SMN reuniu também com cerca de 30 médicos internos de Formação Geral, para ouvir as suas preocupações e avaliar o impacto do novo modelo.
Segundo a estrutura sindical, “para milhares de jovens médicos, esta escolha pode determinar a especialidade que vão exercer, a unidade de saúde onde vão trabalhar e a localidade onde irão viver durante vários anos. As regras têm de ser claras, conhecidas antecipadamente e iguais para todos”.
O comunicado recorda ainda que, “até 2025, cada candidato escolhia, por ordem de classificação, conhecendo as vagas ainda disponíveis”.
No entanto, “depois de os candidatos se terem inscrito, realizado a prova e sido ordenados, a ACSS anunciou que a escolha em 2026 seria exclusivamente online, assíncrona e por lotes”. Para a estrutura sindical, “modernizar não pode significar retirar transparência, informação ou direitos. Digitalizar um concurso não pode servir para mudar as regras depois de ele ter começado.”
Segundo o sindicato, “não se trata apenas de trocar uma sala por um computador. Mudou a própria forma de escolher”.
“Os candidatos passam a ordenar previamente as suas preferências, que serão processadas por um algoritmo, sem conhecerem as vagas efetivamente disponíveis quando chegar a sua posição. Persistem dúvidas sobre aspetos essenciais do processo e desigualdades nas condições de escolha: o primeiro lote irá dispor de cerca de quinze dias, enquanto os restantes terão pouco mais de 13 horas, eventualmente num dia de trabalho e sem dispensa de serviço”, acrescenta a nota.
O SMN apela ainda a uma intervenção urgente antes do início das escolhas e que, em 2026, seja mantido um sistema sequencial, presencial ou eletrónico, mas síncrono e em tempo real.
Pedido caiu em “saco roto”
Em declarações à agência Lusa, Tiago Ramos, da direção do SMN e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), explicou que o sindicato avançou com uma queixa urgente à Provedoria de Justiça porque o pedido de esclarecimentos "caiu em saco roto".
Criticou também o facto de o novo modelo ter sido anunciado "muito em cima do acontecimento", acrescentando que foram os próprios médicos associados que procuraram o sindicato para "pedir auxílio" perante as dúvidas suscitadas pelo novo sistema.
Para Tiago Ramos, os candidatos devem conhecer antecipadamente as regras para poderem "programar e planear a sua vida".
Uma das principais críticas diz respeito ao tempo disponível para ordenar as preferências, que Tiago Ramos considera "um fator de desigualdade".
Segundo o dirigente, o primeiro lote poderá dispor de cerca de 10 a 15 dias para preparar a lista, enquanto os restantes candidatos terão pouco mais de 13 horas para decidir depois de conhecerem as vagas disponíveis.
O sindicato contesta ainda a distribuição por lotes e a obrigação de apresentar previamente uma lista extensa de preferências, sem saber quais as vagas que estarão disponíveis quando chegar o momento da escolha.
Segundo Tiago Ramos, a lista poderá chegar a "quase 150 vagas", obrigando os candidatos a antecipar decisões que, no modelo anterior, eram tomadas com base na oferta disponível naquele momento.
O dirigente alertou também para situações em que as escolhas de diferentes candidatos estão relacionadas, como acontece com casais, familiares ou pessoas que pretendam permanecer na mesma região. Neste contexto, considera que os candidatos "vão escolher um bocadinho às cegas".
"Um pode ficar em Lisboa e outro ficar no Porto. Quando, se calhar, se ficassem ambos em Coimbra, preferiam ficar os dois juntos em Coimbra", exemplificou, considerando que o novo modelo está a causar "um grande stress" aos médicos num "momento definidor" da sua carreira, com consequências para "as próximas décadas".