Síndrome metabólica afecta 1 em cada 3 portugueses
A síndrome metabólica afecta cada vez mais portugueses, estimando-se que actualmente um em cada três portugueses sofra desta patologia, revelam dados do primeiro estudo nacional sobre a prevalência da doença, hoje apresentados em Vilamoura.
A síndrome metabólica (SM) é uma patologia caracterizada pela existência simultânea de obesidade abdominal, hipertensão arterial e alteração do metabolismo da glicose e dislipidemia e que aumenta "duas a três vezes o risco cardiovascular dos doentes", segundo os autores do estudo.
Segundo o primeiro estudo epidemiológico nacional sobre a "Prevalência da Síndrome Metabólica em Portugal" (VALSIM) - apresentado hoje em Vilamoura, distrito de Faro, no âmbito do XXVIII Congresso Português de Cardiologia -, existe um "crescente aumento desta patologia no país", estimando-se que "atinja cerca de um terço da população portuguesa (29,4 por cento)".
A estimativa dos autores indica que a prevalência desta patologia é de 31,19 por cento nas mulheres e 27,46 por cento nos homens.
O estudo - promovido pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, com o apoio da Direcção-Geral da Saúde e da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral - analisou dados de 16.333 utentes de ambos os sexos dos centros de saúde e com idades superiores a 18 anos.
Dos 16.333 doentes analisados no VALISM, 39,3 por cento sofriam da SM, tendo sido esta síndrome mais frequente nas mulheres do que nos homens (48,5 por cento contra 32,8 por cento).
De acordo com os resultados apresentados, esta patologia é mais frequente nos homens até aos 50 anos e predomina nas mulheres a partir dos 60 anos.
Os factores de risco mais frequentemente associados ao diagnóstico de SM foram, segundo o estudo, a hipertensão arterial (70,4 por cento), o perímetro abdominal aumentado (58,3 por cento), aumento da glicemia em jejum (44,8 por cento), triglicéridos aumentados (33,7 por cento) e colesterol HDL diminuído (28 por cento).
Relativamente ao género, o aumento do perímetro abdominal e a diminuição do HDL foram os factores mais frequentes no sexo feminino, enquanto nos homens predominou a hipertensão arterial, a hiperglicemia e a hipertrigliceridemia.
Por outro lado, numa análise estratificada por idade e sexo, verificou-se, também, que a síndrome metabólica vai aumentando com a idade, passando de 7 por cento na população com mais de 18 anos para mais de 46 por cento a partir dos 60.
A SM apresenta variações a nível regional, registando-se com maior frequência nos distritos de Beja, Bragança, Guarda, Leiria, Santarém e Viseu.
A síndrome metabólica está associada a diversas consequências para a saúde, como doença coronária, diabetes tipo II e acidente vascular cerebral (AVC), sendo considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma epidemia do século XXI.