Situação de fábrica de cerâmica em crise analisada com governador civil

Situação de fábrica de cerâmica em crise analisada com governador civil

O governador civil de Coimbra reúne- se a 30 de Novembro com sindicatos do distrito para discutir a situação da empresa Santa Clara Cerâmicas, que pretende deslocar 29 trabalhadores de uma fábrica em Coimbra para o concelho da Batalha.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

Segundo António Moreira, coordenador da União de Sindicatos de Coimbra (USC), nesse encontro vão ser expostas ao governador civil, Henrique Fernandes, as preocupações de trabalhadores e sindicalistas relativamente aos últimos desenvolvimentos na empresa e pedir-lhe a marcação de uma reunião urgente no Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.

Através de cartas individuais recentes, a administração da empresa, antes conhecida como Sociedade de Porcelanas, informou os 29 operários que, a partir de 12 de Dezembro, devem apresentar-se na unidade situada na Batalha, já que a fábrica de Coimbra será encerrada.

Um protocolo celebrado há cerca de dois anos com a Câmara de Coimbra determinava que a empresa construiria uma nova unidade no concelho, com 70 postos de trabalho.

Nos termos do mesmo acordo, a autarquia, por seu turno, viabilizaria o alvará de loteamento para o local das actuais instalações, na Arregaça, quando a nova unidade se encontrasse a laborar.

"Há dados objectivos que indiciam que não há um grande empenho da administração para criar a nova empresa", afirmou António Moreira no final de uma reunião que decorreu hoje na Câmara de Coimbra, com a administração, o vice-presidente da autarquia, Horácio Pina Prata, e o Sindicato dos Trabalhadores da Cerâmica do Centro.

Segundo o dirigente sindical, o vice-presidente da Câmara de Coimbra sublinhou hoje a necessidade de o protocolo ser cumprido, vincando que o alvará só será atribuído quando a nova unidade estiver a laborar.

Por seu turno, os representantes da administração afirmaram a sua intenção de cumprir o protocolo, apesar de se depararem com "grandes dificuldades", e referiram que a construção da nova unidade "obriga a um forte investimento, daí a necessidade de venda dos terrenos" da antiga Sociedade das Porcelanas de Coimbra.

"Temos muitas dúvidas em relação ao cumprimento do protocolo", disse ainda António Moreira, adiantando que vão ser analisadas as implicações jurídicas de uma eventual ruptura dos compromissos.

O dirigente sindical aludiu ainda a conversas de outro administrador com os trabalhadores, em que terá afirmado que não vai ser criada outra unidade em Coimbra, e lembra que, em Março de 2000, a administração entregou na Câmara um pedido de estudo da viabilidade urbanística do local de implantação da actual fábrica.

"Quando a actual administração comprou a empresa, em 1999, havia 215 postos de trabalho, agora são 30", salientou o dirigente sindical, ao frisar a importância de defender o emprego em Coimbra.

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