Situação dos trabalhadores portugueses em Espanha analisada quarta-feira em Vigo
A situação dos portugueses que trabalham ilegalmente na construção civil em Espanha será analisada quarta-feira em Vigo durante uma jornada entre o Conselho das Comunidades Portuguesas local, sindicalistas e inspecção-geral do trabalho espanhóis, foi hoje anunciado.
A jornada sobre os trabalhadores portugueses é organizada pelo conselheiro das comunidades portuguesas em Espanha, Fernando Marques Pinhal, e inclui uma reunião na Inspecção-Geral do Trabalho e uma visita a três empresas da construção civil da região de Vigo com trabalhadores portugueses.
Além do conselheiro, vão participar na iniciativa o inspector- geral do trabalho da Galiza e sindicalistas espanhóis.
Na reunião, serão analisadas as condições de trabalho dos portugueses, na maior parte "inferiores às estabelecidas no sector da construção em Espanha", afirmou Marques Pinhal, adiantando que vai pedir à inspecção-geral do trabalho para que controle as empresas de construção civil.
O conselheiro pretende igualmente "sensibilizar os governos dos dois países para que criem os mecanismos necessários para por fim à exploração dos trabalhadores".
No seguimento da reunião, Marques Pinhal pretende elaborar um documento que será entregue ao secretário de Estado das Comunidades, António Braga.
"É necessário sensibilizar as autoridades portuguesas e espanholas para este problemas complicado. Centenas de portugueses são mal tratados, explorados e há uma clara violação dos direitos humanos", sublinhou.
Fernando Marques Pinhal adiantou ainda à Agência Lusa que em cada uma das empresas a visitar trabalham mais de 100 portugueses.
O conselheiro referiu que vão contactar com patrões e trabalhadores portugueses para apurarem quais as condições de trabalho e alojamento.
"Pretendemos manter com trabalhadores e patrões uma atitude de diálogo e não de retaliação", disse.
De acordo com o conselheiro, a exploração de portugueses verifica-se não só na construção civil, mas também nos sectores da agricultura e da floresta.
"Na agricultura, há portugueses que vivem em quintas e não têm qualquer contacto com o exterior", salientou.
A Federação Espanhola de Sindicatos da Construção e o Sindicato da Construção do Norte, integrados na CGTP, estimam que pelo menos oito mil portugueses trabalhem ilegalmente e em condições inferiores às estabelecidas no sector da construção civil em Espanha.
CMP.
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